Redação Culturize-se
O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) reabre suas portas ao público em 12 de setembro, no Parque Ibirapuera, dando início a uma nova etapa de sua história. O retorno à sede acontece depois de um período de obras e transformações que alteraram não apenas os espaços físicos do museu, mas também sua relação com o público. A reabertura será marcada pelo 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, com curadoria de Diane Lima e participação de 33 artistas de 11 estados brasileiros.
Fechado desde agosto de 2024 em razão das obras na Marquise do Ibirapuera, o MAM iniciou, após a entrega do espaço em janeiro deste ano, uma reforma de requalificação de seus próprios ambientes. O projeto arquitetônico, assinado pelo escritório Metrópole_arq, de Anna Helena Villela e Silvio Oksman, preserva as características do edifício e sua integração com o parque, ao mesmo tempo em que reorganiza os espaços para torná-los mais acessíveis e funcionais.
Entre as mudanças estão a reorganização dos fluxos internos, a eliminação de desníveis e a retirada da antiga escada de acesso ao auditório. As salas expositivas ganharam um forro técnico com trilhos flexíveis, enquanto a bilheteria foi transferida para a área externa. Também foram renovados integralmente o educativo, a biblioteca e a loja. A nova sinalização, desenvolvida pelo Estúdio CLDT, de Celso Longo e Daniel Trench, completa a intervenção ao facilitar a circulação e a comunicação visual.

Mais do que uma reforma, o museu apresenta o retorno como uma espécie de reencontro. “A volta ao Parque Ibirapuera representa muito mais do que a reabertura de um edifício. É o reencontro do MAM com seu público e com o território que faz parte de sua história”, afirma Elizabeth Machado, presidente do museu. Durante o período fora da sede, o MAM manteve atividades em diferentes espaços da cidade.
A exposição que inaugura essa nova fase reforça a dimensão simbólica do momento. Depois que tudo foi dito reúne 33 artistas e investiga aquilo que permanece, se transforma ou emerge depois que determinados acontecimentos parecem ter chegado ao fim. Com a mostra, que permanece em cartaz até 24 de janeiro de 2027, o Panorama reafirma sua vocação histórica de acompanhar a produção artística brasileira a partir de uma perspectiva contemporânea.
A reabertura também será acompanhada por uma nova edição do Clube de Colecionadores MAM, que completa 40 anos em 2026. A edição 2026/27 reúne trabalhos de León Ferrari, Mayara Ferrão e Rodrigo Cass. Para marcar o aniversário, Carmela Gross criou Brasil à mão livre, obra inédita inspirada em um mapa do país desenhado de memória, que também ganhará uma versão monumental em tubos de LED no restaurante do museu.
Outro eixo da nova fase é o MAM Educativo, agora organizado em quatro programas permanentes e com uma agenda ampliada de visitas, oficinas, cursos e encontros. Entre as novidades está o Ateliê Aberto: Práticas Inclusivas em Arte Contemporânea, desenvolvido em colaboração com a Universidade de Leeds e voltado a pessoas com deficiência intelectual e autismo.
A experiência de visita se completa com a chegada do Petí no MAM, restaurante comandado pelo chef Victor Dimitrow e pela restauratrice Bárbara Camargo e reconhecido com o selo Bib Gourmand do Guia Michelin. Assim, ao voltar ao Ibirapuera, o MAM não apenas reabre suas portas, mas reorganiza sua estrutura para transformar a permanência no museu em uma experiência mais ampla, acessível e integrada ao parque.