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Troye Sivan encontra força ao sair do centro do palco

Troye Sivan sempre pareceu mais interessado em construir uma persona pop do que simplesmente ocupar o lugar de estrela. Em sua música e, sobretudo, em sua imagem, o cantor australiano combina moda, coreografia e sensualidade para reelaborar referências de algumas das grandes divas que marcaram sua formação. Madonna, Britney Spears e Janet Jackson aparecem como inspirações evidentes, mas filtradas por uma sensibilidade assumidamente queer.

É justamente essa relação que ganha novo significado em “She’s the Best”, seu mais recente single. Ao apresentar a música, Sivan explicou que ela nasceu de uma sensação de segurança que nem sempre encontrou em espaços masculinos durante a infância. A personagem feminina descrita na canção funciona, portanto, como uma espécie de ideal: alguém absolutamente livre, segura de si e capaz de transitar pelo mundo sem pedir autorização.

O videoclipe transforma essa ideia em uma fantasia pop de grande exuberância. Nicole Kidman e Sasha Colby aparecem juntas diante de um espelho, maquiando-se, enquanto Sivan explora uma perspectiva explicitamente gay. O resultado é divertido, sensual e visualmente sofisticado.

Foto: Divulgação

O aspecto mais curioso, porém, está na decisão de Sivan de não ser exatamente o protagonista da própria música. A mulher que ele canta parece ser muito mais interessante do que o homem que a observa. Ela é poliamorosa, DJ requisitada, culturalmente antenada e suficientemente destemida para enfrentar um incel na internet apenas para passar o tempo. É quase uma criatura mitológica da cultura pop contemporânea.

Enquanto ela ocupa o imaginário da canção, Sivan se recolhe. Sua voz aparece deliberadamente envolvida pela produção, às vezes quase desaparecendo na mixagem. No final, ele ainda cede espaço a um refrão coletivo, como se sua própria identidade estivesse se dissolvendo na figura que criou.

Essa escolha ganha um peso adicional quando lembramos de uma declaração recente do cantor sobre a turnê com Charli XCX, em 2024. Sivan admitiu ter sentido que não sabia existir como ele mesmo fora do palco. “She’s the Best” parece transformar essa inquietação em linguagem artística.

Ao deslocar o foco para sua personagem, Sivan encontra uma maneira sofisticada de falar sobre si mesmo. E, paradoxalmente, talvez seja justamente ao desaparecer parcialmente do centro que ele revele quem é.

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