Por Reinaldo Glioche
Filmes sobre a segunda guerra mundial se proliferaram de tal maneira que constituíram um gênero próprio. Em 2026 é razoável supor que a cota de histórias originais a respeito do tema tenha se esgotado. Não é o caso, como atesta o bom drama “Pressão”, de Anthony Maras, adaptado da peça teatral de David Haig.
O filme aborda um momento aparentemente menor, mas que se mostrara decisivo, do conflito. Trata-se da decisão de quando seria o Dia D, a invasão das forças aliadas à Normandia, que em 6 de junho de 1944 marcou o início da libertação da Europa Ocidental do controle nazista.
A obra se ocupa das circunstâncias dessa decisão a partir de uma problemática muito específica: as condições climáticas. Para determinar a melhor janela de ação, o comando militar norte-americano escala o meteorologista britânico James Stagg, vivido com excelência por Andrew Scott. Mas a tarefa não era fácil em virtude da instabilidade climática na França e a escassez de ferramentas capazes de oferecer uma previsão com alto grau de acerto. A tensão do filme se deriva fundamentalmente desse jogo de adivinhação e da resistência dos militares responsáveis pela arquitetura do Dia D às recomendações de Stagg.

É particularmente salutar os embates entre o meteorologista e o comandante Supremo das Forças Aliadas na Europa, Dwight D. Eisenhover, vivido com energia e gana por Brendan Fraser. Maras enxerga nesse duelo de forças em que intuição, estratégia e responsabilidades confluem de maneira arisca um grande palco dramático e possibilita que seus atores ditem o show em uma encenação que não faz questão de esconder suas raízes teatrais.
Essa opção não diminui a força de “Pressão” enquanto cinema, apenas a reposiciona como algo mais amplo, sedutor e, por que não, impactante.