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Spielberg vê vida extraterrestre como salvação da humanidade

Por Reinaldo Glioche

O mais recente filme de Steven Spielberg marca o retorno do cineasta ao universo dos alienígenas, tema que ele ajudou a popularizar no cinema com obras como “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977) e “E.T” (1982). “Dia D” dialoga com essas obras espiritualmente. Diferentemente de “Guerra dos Mundos” (2005), quando Spielberg se debruçou sobre o material de H.G Wells para falar da paranoia pós-11 de setembro, o novo filme desponta como um amadurecimento das ideias ventiladas nas duas primeiras obras.

Spielberg, cada vez mais convicto de que não estamos sozinhos no universo, imagina as circunstâncias para a revelação desta verdade. Embora formalmente estejamos no campo da ficção científica, “Dia D” é construído como um thriller conspiratório que respinga no drama existencial, afastando deliberadamente os códigos do sci-fi.

O cineasta, mentor intelectual da história, burilada em roteiro pelo mesmo David Koepp que escreveu “Guerra dos Mundos”, olha para essa verdade como um elemento de comunhão, ainda que desestabilizador, em um mundo de caos informacional, guerras fragmentadas e cinismo. Tudo isso emulado por meio de personagens e situações de fundo em ‘Dia D”.

Embora seja uma perspectiva afetuosa, até ingênua, em linha com a verve do cinema spielbergiano, o desenvolvimento argumentativo esbarra em falhas estruturais. Não porque o filme seja filosoficamente extemporâneo –  eis um longa com a cara e o ideário dos anos 80 -, mas por apoiar-se fundamentalmente em uma revelação que a audiência já tem clara desde início. Essa lógica narrativa esvazia o clímax e aloca certa frustração a espectadores menos nostálgicos ou não iniciados na atmosfera spielbergiana.

Foto: Divulgação

Pode parecer uma questão incidental, mas ela compromete determinantemente a experiência a que “Dia D” se propõe. A comunhão coletiva ensejada no ato final é estruturada para ser a cena mais poderosa do filme, mas chega desgastada e inepta. Um fato estranho à filmografia do cineasta.

É claro que, do ponto de vista do storytelling, “Dia D” ostenta predicados, principalmente na linguagem visual, que faltam a outros blockbusters contemporâneos, mas isso, no final das contas, pode ser tomado como perfumaria.

“Dia D” pode até oportunizar algum comentário social, mas não sustenta suas ideias – como a discussão sobre o elemento religioso em face da confirmação de vida extraterrestre. É sempre bom ver Spielberg exercitando sua musculatura cinematográfica, especialmente aos 80 anos, mas esta não é razão para ser-lhe condescendente.

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