Redação Culturize-se
A Avenida Paulista ganhará mais um marco arquitetônico e cultural nos próximos anos. O Itaú Cultural anunciou a construção de sua nova sede no número 1267 da principal via da capital paulista, em frente à estação Trianon-Masp do metrô. Com previsão de entrega para 2031, o edifício foi concebido para ampliar a capacidade de atendimento ao público e oferecer espaços mais adequados às demandas da produção artística contemporânea.
O projeto escolhido é assinado pelo Estúdio Módulo, escritório paulista liderado pelos arquitetos Marcus Vinicius Damon, Guilherme Bravin e Erica Tomasoni. A proposta foi selecionada após uma disputa entre seis escritórios convidados e superou concorrentes de peso da arquitetura nacional, como FGMF Arquitetos, Libeskindllovet Arquitetos, Studio MK27, SPBR Arquitetos e Bernardes Arquitetura.
Com mais de 12 mil metros quadrados de área construída distribuídos em 19 andares — sendo 11 acima do solo e oito pavimentos subterrâneos —, a nova sede foi pensada para acompanhar o crescimento da instituição, que recebeu cerca de 500 mil visitantes apenas no último ano. O edifício contará com seis pavimentos dedicados a exposições, um teatro com capacidade para 428 espectadores e um auditório para 104 pessoas, voltado a eventos e apresentações de caráter mais experimental.
Além dos espaços culturais, o complexo abrigará restaurante, café e uma área voltada para crianças pequenas. Segundo a direção da instituição, a proposta é criar um ambiente mais flexível e capaz de acolher diferentes linguagens artísticas, ampliando as possibilidades de interação entre o público e a programação oferecida.

A mudança de endereço não significa o encerramento das atividades da sede atual, localizada no número 149 da Avenida Paulista. O prédio continuará funcionando normalmente durante todo o período das obras e ainda não há uma definição sobre seu papel após a inauguração da nova estrutura. Paralelamente, o Itaú Cultural manterá suas ações em outras regiões do país por meio de exposições itinerantes, parcerias institucionais e projetos de circulação de acervo.
Do ponto de vista arquitetônico, o projeto vencedor busca equilibrar presença urbana e acolhimento. A construção será formada por dois volumes retangulares sobrepostos, com recortes que quebram a rigidez geométrica e estabelecem diálogo visual com a rua. Esses volumes serão revestidos por uma espécie de pele vazada composta por brises metálicos ou cerâmicos, cuja definição ainda será concluída nas próximas etapas do desenvolvimento do projeto.
Nas fachadas laterais, cores aplicadas atrás desses elementos vazados criarão uma sensação de movimento para quem circula pela região. A inspiração, segundo os arquitetos, vem da arte cinética do venezuelano Carlos Cruz-Díez, conhecido por explorar efeitos visuais que se transformam conforme o deslocamento do observador.
Um dos principais objetivos do projeto é reforçar a relação entre o edifício e o espaço público. A entrada principal, posicionada próxima à estação de metrô, será ampla e aberta, sem barreiras físicas que separem o interior da calçada. O piso do térreo utilizará pedra portuguesa, material tradicionalmente associado à paisagem da Avenida Paulista, numa tentativa de aproximar o centro cultural da ideia de praça pública.
Outro destaque será um terraço aberto voltado para a avenida, além das escadas de circulação interna em tom terracota, referência às artes populares brasileiras produzidas em barro. A escolha dos elementos busca reafirmar a identidade cultural brasileira em um edifício contemporâneo situado em uma das áreas mais emblemáticas da cidade.
A decisão de contratar um escritório nacional também foi apresentada como uma forma de valorizar a produção arquitetônica brasileira e fortalecer a economia criativa do país. Para a direção do Itaú Cultural, a escolha reflete a confiança na tradição arquitetônica nacional e no potencial dos profissionais brasileiros para conceber equipamentos culturais de grande relevância.

A construção da nova sede integra as celebrações dos 40 anos do Itaú Cultural, comemorados em 2027. O terreno onde será erguido o edifício foi adquirido pelo banco Itaú no final de 2024 por R$ 50 milhões. O investimento total da obra ainda não foi divulgado, mas a instituição informou que os recursos serão integralmente provenientes da Fundação Itaú, sem utilização de mecanismos de incentivo fiscal.
Quando concluído, o novo prédio se juntará a outras construções culturais que vêm transformando a Avenida Paulista em um dos mais importantes corredores de arte, arquitetura e convivência urbana do país, reforçando o papel da região como um dos principais polos culturais da América Latina.