Redação Culturize-se
O Red Hot Chili Peppers fechou um dos maiores negócios da história recente da indústria musical. A banda californiana vendeu os direitos de seu catálogo gravado para a Warner Music Group (WMG) em um acordo avaliado em mais de US$ 300 milhões — cerca de R$ 1,4 bilhão na cotação atual.
A aquisição foi realizada por meio da joint venture criada pela WMG em parceria com o fundo de investimentos Bain Capital em julho de 2024. Em relatório divulgado em 7 de maio, a Warner informou que já havia gasto US$ 650 milhões em catálogos desde o lançamento da parceria. O acordo com o Red Hot Chili Peppers representa, sozinho, quase metade desse montante, embora a empresa não tenha detalhado as demais aquisições.
O negócio envolve os chamados masters — os direitos sobre as gravações originais das músicas. O pacote inclui 13 álbuns de estúdio lançados desde ‘Blood Sugar Sex Magik” (1991), entre eles “Californication”, “By the Way” e “Stadium Arcadium”. Estima-se que o catálogo gere cerca de “US$ 26 milhões por ano”, impulsionado por clássicos como “Under the Bridge”, “Scar Tissue”, “Can’t Stop” e “Otherside”, que continuam com forte performance nas plataformas de streaming.
A Warner é considerada uma escolha natural para a transação. A banda mantém contrato com a Warner Records desde o início dos anos 1990, selo pelo qual lançou todos os seus álbuns de estúdio nas últimas três décadas. Os representantes do grupo e da gravadora declinaram de comentar o acordo.

Não é a primeira vez que o Red Hot Chili Peppers monetiza seus direitos musicais. Em 2021, o grupo vendeu seu catálogo editorial (direitos de composição) para a Hipgnosis (hoje **Recognition Music Group) em um negócio de US$ 140 milhões. Esses direitos editoriais podem mudar de mãos novamente em breve: a Sony Music Group está em negociações avançadas para adquirir a Recognition em um acordo multibilionário. Entre os outros catálogos da Recognition estão os direitos de Justin Bieber, Justin Timberlake e Neil Young.
Com a venda das gravações, a banda praticamente monetizou todo o seu legado musical — tanto a criação quanto a execução das canções. Para os fãs, a mudança é invisível: as músicas continuam disponíveis normalmente nas plataformas digitais. A diferença está nos bastidores, onde decisões sobre licenciamento para filmes, séries e campanhas publicitárias passam a ser controladas pela gravadora.
O Red Hot Chili Peppers, integrante do Rock & Roll Hall of Fame desde 2012, segue como um dos maiores atrativos de turnês do mundo, com shows consistentemente esgotados em estádios. O negócio reforça a tendência de aquisição massiva de catálogos musicais por grandes gravadoras e fundos de investimento — movimento no qual a Universal Music Group também participa, com participação minoritária na Chord Music Partners, e a Sony, com joint venture recente anunciada com o fundo soberano de Singapura, GIC.