Redação Culturize-se
O segmento de SUVs consolidou-se como o grande protagonista do mercado automotivo brasileiro. Em 2025, foram emplacadas 1.095.642 unidades da categoria, o que corresponde a 54,89% do total de automóveis de passeio e comerciais leves vendidos no país, segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). O número representa um salto significativo em relação a 2024, quando os SUVs respondiam por 47,9% das vendas.
A preferência pela categoria não é passageira. A quarta edição da Pesquisa de Intenção de Compra, realizada pelo Webmotors Autoinsights, apontou que os SUVs lideram os planos de aquisição dos brasileiros em 2026, com 40% dos entrevistados afirmando desejar adquirir um veículo da categoria.
“A popularidade dos SUVs está diretamente ligada à percepção de segurança e à versatilidade de uso”, explica Cristian Letti, CEO do Grupo Servopa. O especialista destaca que os automóveis com carroceria SUV conferem ao condutor melhor visão da via, dada a altura do veículo, além de serem ideais tanto para ambientes urbanos quanto para estradas de terra. Outro ponto é o espaço: o porta-malas e o espaço interno apresentam proporções que garantem comodidade e conforto para viagens.
A preferência se reflete diretamente nas vendas das concessionárias. Nos últimos três meses, o Grupo Servopa, que tem 52 lojas distribuídas nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, registrou que 52,7% das vendas foram de modelos SUV, reforçando a hegemonia da categoria no varejo. “Esses dados consolidam os SUVs como a principal escolha do consumidor”, afirma Letti.
O boom dos SUVs compactos
O crescimento do segmento é puxado especialmente pelos modelos de entrada. Dentre os mais vendidos, o Volkswagen T-Cross manteve a liderança em 2025 com 92.837 unidades, crescimento de 9,5% sobre 2024. O pódio foi completado pelo Hyundai Creta (76.156 unidades) e pelo Jeep Compass (61.255), líder entre os SUVs médios. Oito dos dez SUVs mais vendidos no ano foram compactos, subcategoria que acumulou diversos lançamentos ao longo de 2025, como a nova geração do Nissan Kicks, a reestilização do Chevrolet Tracker e a chegada dos inéditos Volkswagen Tera e Honda WR-V.
A projeção para 2026 é de expansão contínua. Novos modelos como o Chevrolet Sonic, Hyundai Bayon e Jeep Avenger devem reforçar a oferta no segmento de entrada, que já respondia por 34,1% das vendas em 2025 e subiu para 35,5% no acumulado de janeiro e fevereiro de 2026. A K.Lume estima que as SUVs de entrada encerrarão 2026 com alta entre 4,29% e 6,47%, atingindo algo próximo de 718 mil unidades.

Eletrificação e novidades
O segmento também reflete as transformações do mercado. Entre os eletrificados, a BYD se destacou em 2025 com as versões Song Pro, Plus e Premium, que somaram 42.181 emplacamentos. O GWM Haval H6 ocupou a segunda posição entre os SUVs eletrificados, com 31.964 unidades vendidas no ano.
Nesta semana, o Brasil recebe o novo modelo da linha Tiguan, da Volkswagen, que promete redefinir o conceito de SUV médio no país, segundo Letti. A novidade chega em um momento em que o segmento médio também apresenta crescimento: em outubro de 2025, as SUVs e crossovers médios atingiram 37.300 unidades, quase 15% acima do mesmo período de 2024.
A tendência de alta dos SUVs não é exclusividade brasileira, mas no país ela assume contornos próprios. Os modelos vendidos por aqui são, em geral, mais compactos do que os europeus e americanos, com altura em relação ao solo superior, suspensão mais robusta e design com linhas mais altas. Essa configuração atende às demandas de mobilidade urbana e às condições variadas das rodovias brasileiras.
Com projeções de que a participação dos SUVs pode superar os 60% em alguns meses de 2026, a categoria caminha para tornar os hatchs e sedãs cada vez mais nichos no mercado nacional. Como observa o especialista, “a diferença entre encontrar a mutação antes ou depois do tumor aparecer pode ser, literalmente, a diferença entre prevenir e tratar” — no caso dos SUVs, a diferença entre oferecer versatilidade ou não pode ser a diferença entre liderar vendas ou ficar para trás.