Redação Culturize-se
A 39ª edição do Panorama da Arte Brasileira, uma das principais exposições do circuito nacional, teve sua identidade visual apresentada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM São Paulo). Com abertura prevista para setembro, no Parque Ibirapuera, a mostra adota como eixo conceitual o tempo — não como medida linear, mas como matéria em constante transformação.
Desenvolvido pela agência PORTO ROCHA, o projeto gráfico dialoga diretamente com a curadoria de Diane Lima e com o título da exposição, Depois que tudo foi dito. A proposta parte da metáfora da areia, elemento que condensa a tensão entre permanência e impermanência: formada ao longo de milênios, mas suscetível à ação imediata do vento e da água. “A identidade propõe relações e temporalidades não lineares, abrindo espaço para um território de incerteza e fluidez”, afirma Leo Porto, diretor criativo da agência.
A transposição desse conceito para o ambiente digital, com uso de ferramentas 3D, estabelece um contraste entre o tátil e o tecnológico. Segundo Felipe Rocha, também diretor criativo, o sistema visual assume a instabilidade como princípio, recusando a ideia de forma fixa. O resultado é uma identidade que alterna entre o orgânico e o sintético, perceptível nas texturas, na construção cromática e na tipografia — que combina referências históricas e contemporâneas.

O conceito curatorial se ancora em uma provocação da filósofa Denise Ferreira da Silva, que questiona os limites do que pode ser dito sobre a arte diante das violências coloniais e raciais. A partir desse ponto, Diane Lima propõe uma exposição que privilegia práticas artísticas experimentais, descritas como “formas oceânicas, porosas e monstruosas”, capazes de desafiar classificações rígidas e expandir as possibilidades de leitura.
Criado em 1969, o Panorama da Arte Brasileira consolidou-se como uma plataforma central para o debate sobre a produção contemporânea no país. Ao longo de suas edições, a mostra desempenhou papel estratégico na reconstrução do acervo do MAM e na articulação entre artistas, críticos e instituições. Na edição de 2026, ao articular design, filosofia e curadoria, o Panorama reafirma sua vocação de tensionar o presente e propor novos modos de ver e pensar a arte brasileira.