Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Mostra debate a cidade como matéria e conflito

Redação Culturize-se

Até 24 de maio, o Instituto Tomie Ohtake recebe Existe uma vida inteira que tu não conhece, primeira exposição individual institucional de Allan Weber em São Paulo. Com curadoria de Ana Roman e Catalina Bergues, a mostra reúne cerca de 40 obras — entre esculturas, fotografias, instalações e vídeos — que tomam a cidade como campo de observação direta, explorando as dinâmicas de trabalho, circulação e sobrevivência que estruturam a vida urbana contemporânea.

Nascido e criado na comunidade 5 Bocas, em Brás de Pina, na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde ainda vive, Weber constrói uma produção profundamente enraizada nas experiências do território. Sua obra emerge das tensões e contradições da cidade, transformando materiais cotidianos em composições que operam simultaneamente como gesto poético e comentário social. Nesse processo, o artista articula o olhar de quem observa a cidade à distância com a vivência de quem depende diretamente dela para trabalhar.

A realização da exposição na Avenida Faria Lima, centro financeiro da capital paulista, adiciona uma camada simbólica ao projeto. O fluxo intenso de motoboys na região, trabalhadores essenciais para o funcionamento da economia urbana, aparece como um dos eixos da mostra. Durante sua permanência em São Paulo, Weber produziu parte das obras a partir do contato direto com esses territórios e suas dinâmicas, ampliando experiências já presentes em sua trajetória no Rio.

Allan Weber, Sobre balão, da série Traficando Arte, 2021,

Entre os destaques está uma instalação de grandes dimensões composta por bancos de motocicleta, capacetes e mochilas de entregadores suspensos por elásticos. Ao deslocar esses objetos de suas funções originais, o artista altera a circulação do público e propõe uma reconfiguração sensorial do espaço expositivo. Em Nós que sustenta na raça, caixas-d’água empilhadas formam torres que evocam a paisagem das periferias urbanas, tensionando a fronteira entre escultura e arquitetura popular.

Outro núcleo relevante reúne trabalhos feitos com lonas utilizadas em bailes funk. Ao preservar rasgos, costuras e marcas de uso, Weber aproxima essas superfícies da abstração geométrica, sem romper com seus contextos de origem. Já na série Tamo junto não é gorjeta, iniciada durante a pandemia de COVID-19, o artista registra o cotidiano dos entregadores a partir de dentro desse circuito de trabalho, captando momentos de espera, exaustão e suspensão que marcam a rotina desses profissionais.

A exposição inclui ainda camisetas de times de futebol criadas por Weber, conectadas à Galeria 5 Bocas, fundada pelo artista em 2020. Mais do que um espaço expositivo, a galeria funciona como ponto de encontro e articulação comunitária, refletindo a dimensão coletiva que atravessa sua prática.

A mostra integra um conjunto de exposições simultâneas no instituto, ao lado de Profanações, de Pablo Lobato, e Etcétera, dedicada à trajetória de Isay Weinfeld, reforçando o diálogo entre diferentes gerações e práticas no campo da arte contemporânea.

Isso pode te interessar

Tendências

Logística de alimentos entra na era da inteligência artificial

Precisão na entrega se torna fator decisivo de competitividade

Tecnologia

Apple aos 50: entre mito, inovação e poder global

Como a empresa transformou tecnologia em narrativa e construiu uma das marcas mais influentes do mundo

Radar Cultural

Museus globais se recuperam, mas crescimento é desigual

Teatro

Copacabana Palace rebatiza teatro em homenagem a Fernanda Montenegro

Newsletter Gratuita

Tenha o melhor da cultura na palma da sua mão. Assine a newsletter gratuita de Culturize-se. Todos os dias pela manhã na sua caixa de e-mail.