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Globo de Ouro privilegia cinema de fora dos EUA em ano que tem Paul Thomas Anderson na dianteira

Reinaldo Glioche

O Globo de Ouroanunciou na manhã desta segunda-feira (8), os indicados à sua 83ª edição, que será realizada no dia 11 de janeiro de 2026. A premiação, que desde que teve seu controle alterado, tem se pautado por um olhar mais amplo para a produção cinematográfica, embora na ala televisiva já tenha sido mais progressista e original.

Filmes como “No Other Choice”, “O Agente Secreto”, “Foi Apenas um Acidente” e “Valor Sentimental” obtiveram múltiplas indicações sublimando favoritos de outrora como ‘Jay Kelly”, “Coração de Lutador” e “Casa de Dinamite”, este último completamente excluído da festa.

Foto: Divulgação/CBS

Wagner Moura, que já havia concorrido ao prêmio como ator dramático em série por seu papel como Pablo Escobar em ‘Narcos”, recebe sua primeira indicação na categoria de ator dramático em cinema por “O Agente Secreto”, tornando-se o primeiro brasileiro a atingir tal feito. Fernanda Torres venceu como atriz dramática em 2025 por “Ainda Estou Aqui”. O filme de Kleber Mendonça Filho ainda concorre nas categorias de Filme em Língua Não Inglesa e Filme em Drama, confirmando o bom momento do cinema brasileiro no mundo.

A categoria de comédia e musical parece reunir os candidatos mais fortes dessa corrida para o Oscar, inclusive o grande favorito, “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, que recebeu nove indicações ao prêmio. A categoria de Filme em Comédia ou Musical ainda conta com “Bugonia”, “Marty Supreme”, “No Other Choice”, “Blue Moon” e “Nouvelle Vague”, os dois últimos dirigidos por Richard Linklater.

Na ala dramática a disputa se concentra entre dois filmes de gênero, “Frankenstein” e “Pecadores”, três estrangeiros, “Foi Apenas um Acidente”, “Valor Sentimental” e “O Agente Secreto” e o favorito “Hamnet”. Jafar Panahi e Joachin Trier também receberam indicações em direção e roteiro, uma demonstração de que estão fortes do que “O Agente Secreto” na disputa, inclusive na categoria de Filme Internacional.

Warner + Netflix formam potência nada oculta

Uma nota interessante da lista é o domínio da Warner e da Netflix, tanto em cinema como na TV, em uma demonstração nada sutil do poder que a fusão entre as duas empresas, principal tema de Hollywood na atualidade, vai consolidar.

A Netflix e a Warner Bros dominaram o evento, somando, respectivamente, impressionantes 35 e 33 indicações. Juntas, as duas gigantes responderam por incríveis 68 indicações, com filmes e séries como “One Battle After Another,”Uma Batalha Após a Outra”, “Pecadores”, “A Hora do Mal”, “Frankenstein”, “Jay Kelly”, “Adolescence”, “The White Lotus”, “The Pitt”, “O Monstro em Mim” e “Black Mirror” se destacando. 68 representam 40% das 170 vagas totais disponíveis nesta edição.

O estúdio mais próximo em número de indicações nesta manhã foi a Disney, com 20 indicações, ou 11,76% do total. Em seguida aparece a Universal, com 19 indicações, ou 11,18% do total.

As escolhas do Globo de Ouro dão uma boa dimensão do que foi 2025 no cinema. Não foi um ano excepcional, mas com filmes suficientemente fortes para montar uma seleção digna e cativante. Houve, porém, omissões sentidas. Apesar da força da Warner, “Superman” não foi indicado na categoria de Destaque em Bilheteria, “Casa de Dinamite”, de Kathryn Bigelow, e “Isso Ainda Está de Pé?”, de Bradley Cooper foram completamente ignorados.

Houve boas surpresas como a inclusão dos dois filmes de Richard Linklater entre as comédias e a dupla presença de Jacob Elordi e Amanda Seyfried, dois bons atores que entregaram ótimos desempenhos no cinema e na TV.

Leonardo DiCaprio em cena de “Uma Batalha Após a Outra” | Fotos: Divulgação

Falta de criatividade

Por falar em TV, para além das obrigatórias indicações de “Adolescence”, “The Pitt”, “Severence” e “The Studio”, o Globo de Ouro foi pouco criativo, deixando de fora a excelente comédia “I Love L.A” para favorecer a modorrenta “The Bear”. Ótimas produções que voaram abaixo do radar poderia ter sido lembradas pela premiação que na antiga gestão primava por iluminar shows que o Emmy ignorava. Ainda assim boas produções como ‘The Girlfriend”, “Mobland” e “Chad Powers” foram lembradas de alguma forma.

A Apple confirma ser a grande força na seara televisiva. Três das seis indicadas em drama são de seu portfólio, assim como a favorita em comédia, “The Studio”.

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