Redação Culturize-se
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, intensifica a ocupação artística das ruas da capital no mês de novembro com a entrega de oito novos murais contemplados pelo edital deste ano do Museu de Arte de Rua (MAR). A iniciativa soma-se às diversas intervenções urbanas e reforça a política de valorização da arte urbana e das expressões culturais de bairro.
Os murais inaugurados foram localizados em diferentes regiões da cidade: cinco na Zona Norte, nos distritos de Jaçanã/Tremembé, Freguesia do Ó/Brasilândia e Casa Verde/Cachoeirinha, um na Zona Leste, no bairro da Penha, e outro na Zona Oeste, em Pinheiros. Além disso, mais oito intervenções serão entregues ainda neste fim de semana, elevando o total de obras visuais recentemente instaladas.
Na Zona Norte, o CEU Jaçanã recebeu dois projetos de “Trabalho em Altura” (paredes acima de 3,5 metros): o mural “Cartografias afetivas”, do artista Mimura Rodriguez, que utiliza spray e acrílica para retratar ancestralidade, natureza e o Rio Curupira como parte do ecossistema urbano; e “Sonho é respiro”, de Lolly, cuja iconografia alia símbolos da cultura Ashanti (Gana), a espada de São Jorge e referências literárias como “A vida não é útil” (Ailton Krenak), “O espírito da intimidade” (Sobonfu Somé) e “Tudo sobre o amor” (Bell Hooks) para expressar os sonhos como forma de resistência.
Ainda no distrito, a ETEC Albert Einstein, no bairro Vila Baruel, foi palco do mural “Ovo é tudo nesse Universo!”, por BOMFIM, que brinca com linguagem cartunesca e espacial para dialogar com o público jovem. Na EMEF Primo Pascoli Melare, no Jardim dos Francos, o mural “Selvagem e Sagrada”, de Jade Matos, exalta a biodiversidade brasileira em uma pintura que serve como alerta e esperança para a crise ambiental. Já “Entre Espinhos e Frutos”, de Ramon Phanton, localiza-se na Brasilândia e conjuga figura de trabalhador rural, flora do Cerrado (mandacaru, tucano, pequi) e cores intensas para evocar a ruralidade interiorana na metrópole.


Na Zona Leste, junto ao CDHU Condomínio São Francisco Residencial Sapopemba, São Mateus, o mural “Plantar o amanhã”, do artista Gugie Cavalcanti, homenageia moradores que há anos transformam a paisagem local por meio de arborização. Na zona Oeste, no bairro Alto de Pinheiros, o artista Sintético Abstrato transformou uma quadra de esportes com “Arquitetura de Nave”, intervenção geométrica que evoca o modernismo amazônico e amplia as cores urbanas tradicionais.
O edital MAR 2025 contou com recursos de aproximadamente R$ 3,5 milhões. O programa destina 80% dos recursos para artistas ou coletivos inéditos nas edições anteriores, fortalecendo a inclusão de novos autores no circuito da arte urbana paulistana. A política municipal, em vigor desde 2017, configura o MAR como um verdadeiro museu a céu aberto que promove intervenções nas cinco macrorregiões da cidade.
Com estes murais, a cidade amplia a visibilidade de arte urbana que dialoga com temas como ancestralidade, diversidade cultural, meio ambiente e mobilidade. A entrega espelha não apenas uma transformação estética, mas também o reconhecimento de territórios, comunidades e linguagens artísticas que habitam o espaço urbano. As intervenções ganham ritmo e protagonismo justamente no mês em que a cidade celebra a efervescência cultural e o protagonismo criativo das ruas.