Redação Culturize-se
O monólogo “Claustrofobia”, de Rogério Corrêa, estreia em São Paulo nesta quinta-feira (5) para uma temporada no Auditório do Sesc Pinheiros, que se estende até 12 de julho. As apresentações acontecem de quinta a sábado, sempre às 20h, com o ator Márcio Vito no palco celebrando seus 35 anos de carreira.
O espetáculo, dirigido por Cesar Augusto, chega à capital paulista após duas temporadas de sucesso no Rio de Janeiro e acumulando importantes reconhecimentos. A produção foi vencedora do Prêmio Shell 2025 na categoria de melhor cenário, assinado por Beli Araújo e Cesar Augusto, além de ter concorrido na categoria de Melhor Ator. Atualmente, disputa o Prêmio APTR em três categorias: ator, direção e iluminação.
A trama acompanha três personagens que se cruzam em um prédio empresarial no centro de uma metrópole brasileira: Marcelino, um ascensorista tímido e imigrante do interior que envia dinheiro para casa; Stella, uma executiva ambiciosa em novo emprego; e Webberson, um porteiro que sonha em ser policial.
“O texto põe uma lupa nos pensamentos e preconceitos que separam as personagens em classes às quais eles julgam pertencer”, explica Márcio Vito. O ator desdobra-se entre os três personagens, ilustrando a realidade urbana com o humor ácido característico da dramaturgia de Rogério Corrêa.

Microcosmo das relações brasileiras
Para o diretor Cesar Augusto, o prédio onde se desenvolve a ação funciona como microcosmo das relações trabalhistas, humanas e sociais do país. “Esses três personagens se esbarram num mesmo contexto arquitetônico. São representações de um sistema traduzido pela arquitetura de um prédio”, analisa.
O autor Rogério Corrêa, radicado em Londres há 30 anos, teve a ideia para “Claustrofobia” em 2009, durante uma temporada no Rio. “Percebi como ainda tem muito ascensorista trabalhando. Para mim, aquele trabalho era uma metáfora da alienação do capitalismo, do trabalho contemporâneo”, revela o dramaturgo, que faz sua estreia no Rio como autor de espetáculo presencial.
O espetáculo tem recebido elogios da crítica especializada. Walter Corrêa de Araújo, do Escrituras Cênicas, considera a produção “um dos espetáculos mais surpreendentes da atual temporada”, destacando a “conexão de uma luminosa tríade do universo teatral brasileiro”.
Cláudia Chaves, do Correio da Manhã, observa que os personagens “apresentam aquilo que é triste no humano e insuportável em nossa atual sociedade: a invisibilidade do sujeito e da alma”. Já Rodrigo Fonseca, da Rota Cult, compara Márcio Vito a “um Paul Giamatti nacional” e elogia sua capacidade de “implodir à luz da ribalta”.
Serviço
Claustrofobia
Local: Auditório do Sesc Pinheiros
Período: 5 de junho a 12 de julho
Horários: Quinta a sábado, às 20h
Duração: 60 minutos