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Fever Films revela proposta ambiciosa de redefinir o consumo de erotismo no Brasil

Redação Culturize-se

Um evento inédito com a expectativa de provocar, inspirar e desafiar velhos paradigmas marcou o lançamento da plataforma oficial da Fever Films, dedicada à produção e divulgação de conteúdo erótico com linguagem cinematográfica refinada, ética e esteticamente provocante Trata-se da festa BE ON FEVER, na casa noturna Love Nox, em São Paulo, na noite de segunda-feira (5).

O evento reuniu artistas, performers, influenciadores e parceiros do mercado erótico para uma noite que mesclou exposição de arte, exibição de curtas-metragens, performances ao vivo (como shibari e cenas de BDSM) e uma roda de conversa sobre erotismo e arte contemporânea.

A iniciativa é liderada pela diretora e performer Vitória Schwarzeluhr – Dread Hot, que afirma ver a plataforma como mais que um repositório de filmes: “Nós fazemos cinema. Queremos ampliar a visão sobre sexualidade, não apenas o ato sexual em si. O site da Fever será uma vitrine para mostrar os filmes e todo o processo criativo e operacional por trás de cada obra.”

Inspirada em movimentos como o da sueca Erika Lust e da britânica Vex Ashley — nomes que consolidaram a vertente do chamado “pornô feminista” e experimental na Europa — a Fever Films nasce com o objetivo declarado de redefinir a forma como o conteúdo erótico é produzido e consumido no Brasil. Em entrevista ao Culturize-se, Vitória reconhece que há um longo caminho a percorrer, sobretudo em um mercado ainda dominado pela estética explícita e objetificante importada da indústria norte-americana. “No Brasil, ainda carregamos um consumo de sexualidade muito anos 2000. Queremos provocar uma mudança no olhar e na maneira como consumimos arte erótica por aqui.”

Com presença confirmada em plataformas como Privacy e parcerias com empresas dos setores artístico e erótico, a Fever aposta também no público feminino — que, segundo dados recentes do Pornhub, representa cerca de 40% dos consumidores de pornografia no Brasil e nos Estados Unidos. “Um dos pilares da Fever é dialogar com esse público, oferecendo uma pornografia sensível, estética, humana — com valores cinematográficos, identificação, afeto e reflexões”, afirma a performer.

Foto: Reprodução/Instagram

A escolha por um lançamento imersivo e sensorial não é aleatória. Para Vitória, a experiência do evento antecipa a proposta da plataforma: estimular sentidos e provocar reflexão além do mero prazer físico. “Não é só sobre ‘gozar’. É sobre sentir, refletir, se transformar. Nossos filmes trabalham com narrativas, poesia visual, metáforas… Queremos que, ao terminar um filme nosso, a pessoa pense: ‘O que mais eu senti além do prazer?’”

A curadoria da programação da plataforma também reflete essa ambição. “Queremos trazer narrativas diversas: desde histórias artísticas até situações cotidianas, sempre com mensagens que toquem o espectador em diferentes níveis”, explica.

A gravação de um curta durante a festa nasceu de uma inspiração vinda de festivais independentes como o Pop Porn. A ideia, segundo Vitória, é transformar a própria experiência do lançamento em uma obra audiovisual. “É a Fever filmando a Fever, falando da própria Fever — sobre calor, desejo, criação. Queremos oferecer uma obra aberta a interpretações diversas.”

Para além da estética, a Fever Films também pretende abordar temas como diversidade LGBTQIA+, gordofobia, violência, BDSM e o papel da mulher na sociedade — sempre com sensibilidade e responsabilidade. “Nosso objetivo é mudar o paradigma — tanto na forma de consumir quanto de produzir conteúdo erótico. A arte é poderosa para quebrar barreiras, e acreditamos que o erotismo pode ser uma ferramenta de transformação”, conclui Vitória.

Com uma proposta que mistura cinema, filosofia e prazer, a Fever Films se posiciona como uma das apostas mais ousadas da cena cultural e erótica contemporânea no Brasil. Vitória finaliza o papo emulando Pitty: “Mudar o sistema por dentro é ingenuidade ou talento?”

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