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A decadência das estrelas de cinema

Reinaldo Glioche

Tom Cruise
Foto: Reprodução/Instagram

Não é de hoje que a morte das estrelas de cinema é alardeada. Primeiro com a ascendência das propriedades intelectuais em Hollywood na esteira do sucesso da Marvel e depois com o streaming. Há muito tempo que um filme não se sustenta única e exclusivamente em uma estrela de cinema. A não ser os longas estrelados por Tom Cruise – e mesmo ele está há uma década apenas aparecendo em franquias como “Missão Impossível”, “Top Gun” e “Jack Reacher”.

A discussão, porém, ganhou uma angulação interessante na última semana. Reese Whiterspoon, que se transformou em uma produtora bem-sucedida de Hollywood, participou de um evento promocional da série que produz e estrela para o AppleTV+, “The Morning Show”, em Los Angeles, e deu seus dois centavos sobre essa realidade.

“O streaming foi como a maior coisa por três a quatro anos, e havia um constante e interminável desejo por conteúdo, e, literalmente, poderíamos vender qualquer coisa”, disse a estrela. “O que estou vendo agora, acho que do lado da compra e venda, é que provavelmente parte da greve (dos atores e roteiristas que aconteceu em 2023) foi um reset para esses estúdios que não são lucrativos – os serviços de streaming – e uma oportunidade para eles redimensionarem, reestruturarem e reduzirem custos. Então provavelmente vamos ver menos coisas, o que é provavelmente bom, certo? Era só caos. Era um mercado de pulgas. Podemos diminuir um pouco o ritmo. Mas vai haver mais intenção em torno disso, e vai ser um pouco mais difícil.”

Witherspoon disse que se pergunta se teremos grandes astros e estrelas no futuro. “Será que carreiras como as nossas são possíveis de novo? Existem oportunidades para as pessoas realmente emergirem como estrelas? Como você sabe sem transparência nos dados? Como sabemos se algo foi bem ou não?” A estrela disse que a Netflix é “bastante transparente sobre isso” e revela alguns números, mas “as outras não”. E é difícil como ator – como você negocia? Como um produtor? Como você comercializa? Se você não sabe onde está no cenário, como você valoriza algo?”

Reese Witherspoon ao lado de Jennifer Aniston | Foto: Reprodução/People

A preocupação é legítima. Embora o olhar de Witherspoon esteja mais inclinado ao seu lado de produtora, a inquietação a respeito do estímulo ao surgimento de novas estrelas é pertinente. A Netflix gestou com sucesso algumas estrelas, a maior delas, talvez, seja Millie Bobby Brown, que quando se experimentou fora do streaming teve resultados decepcionantes, o que pode suscitar teorias de que não é uma estrela de fato, já que tem poder de atração reduzido fora do ambiente da Netflix.

O cinema atualmente ostenta alguns candidatos a estrelas. Glenn Powell e Sidney Sweeney, a dupla da comédia romântica “Todos Menos Você” tem um 2024 capital para confirmar essa perspectiva com um bom número de lançamentos em cinema que, se bem-sucedidos crítica e comercialmente podem modificar o status deles em Hollywood.

Esses contrapontos são aventados justamente para dimensionar a elaboração de Whiterspoon. Talvez, mesmo com dados de audiência dos streamings, a maneira como estrelas de cinema nascem seja simplesmente incompatível com este modelo de negócio. O streaming pode até ser uma plataforma influente, mas parece prescindir da magia que só o cinema ostenta.

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