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Ambicioso, Museu de Ciência da Amazônia quer estimular biodiversidade

Redação Culturize-se

Foto: Reprodução/MuCA

O empresário e ambientalista Luiz Felipe Aranha Moura está lançando um ambicioso projeto para viabilizar o futuro amazônico. O projeto, intitulado Museu de Ciência da Amazônia (MuCA), tem como objetivo criar oportunidades educacionais e econômicas para os moradores locais, revitalizar Belterra, um município no Pará, e ajudar a deter o desmatamento local e em toda a Amazônia. Belterra foi criada por Henry Ford em 1933, e o projeto MuCA é um contraste com a visão de Ford de impor modos americanos de trabalho e vida às populações locais.

O MuCA é um projeto grande e multidimensional que envolve quase duas dezenas de agências governamentais e não governamentais, parceiros estratégicos, consultores e doadores. A missão do projeto visa criar uma economia biodiversa local, treinar centenas de pessoas na região para trabalhar em serviços florestais sustentáveis, criar uma cadeia de suprimentos sustentável para os ingredientes mais valiosos da Amazônia e fornecer suporte para pequenas empresas e contratantes independentes. Em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), o MuCA criará o primeiro laboratório avançado da selva na Amazônia para simplificar a cadeia de suprimentos e maximizar o lucro para as entidades locais, minimizando danos ao ecossistema.

Domando as possibilidades

Nos próximos anos, o MuCA irá treinar centenas de pessoas na região para trabalhar em serviços florestais sustentáveis e apoiar a pesquisa científica na Amazônia. A ideia é inverter a lógica de incentivo criar gado ou cultivar soja (os principais impulsionadores do desmatamento) para a colheita e venda da variedade de compostos que prosperam naturalmente lá, como o jambu. Também conhecida como a planta Botox por suas propriedades anti-envelhecimento, essa é muito procurada pelas indústrias farmacêutica e de beleza.

Esses ingredientes podem ser extraídos de forma responsável, usando métodos empregados pelo povo Tapajó por séculos e que não requerem desmatamento. Até agora, o elo perdido tem sido a falta de um laboratório de comprovação e dos processos e certificações necessários para que pequenas empresas e contratantes independentes realizem preços altos, vendendo diretamente aos consumidores.

O prédio do MuCA levou quatro anos para ser concluído e foi projetado pelo arquiteto Gino Caldatto Barbosa, com sede em São Paulo. Além de extensas instalações de laboratório e de acordo com seu nome, MuCA também contém um espaço de exposição, que será inaugurado com uma mostra chamada ‘Vida’, demonstrando as conexões entre a floresta amazônica e as sociedades ao redor do mundo. Foi projetado pelo Atelier Marko Brajovic, também sediado em São Paulo, que também criou a identidade visual do MuCA.

Laboratório de criação no MuCA | Foto: Maira Acayaba

As cadeiras do teatro, juntamente com todos os móveis do projeto, foram feitas pela Coomflona, uma cooperativa regional de marcenaria que utiliza apenas madeira local de fontes sustentáveis e técnicas tradicionais. A abordagem rica em patrimônio do grupo também influenciou os designs de móveis de Casas. No coração do prédio, haverá um café ao ar livre e espaço de co-working, exuberante com o trabalho de paisagismo dos botânicos do MuCA, que se especializam em flora amazônica e sua restauração.

Mais para o futuro, um hotel cinco estrelas deve ser construído para operar a parte de hospitalidade do projeto.

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