Por Reinaldo Glioche

A terceira temporada da comédia espanhola da Netflix “Machos Alfa” manteve a qualidade das duas anteriores, o que pode ser considerado um feito tanto no escopo de séries contemporâneas – que costumam chegar a essa fase em crise de qualidade -, como pelo próprio material, uma sátira da correção política e da maneira como a masculinidade é problematizada na atualidade.
Caricatura, clichês, padrões de comportamento disruptivos e humor pastelão se mesclam com eficácia nessa trama que muitas vezes parece um “Sex and The City” masculino.
As aventuras de Pedro (Fernando Gil), Raúl (Raúl Tejón), Santi (Gorka Otxa) e Luis (Fele Martinez) frequentemente levam o espectador às gargalhadas. Outro ativo que diferencia “Machos Alfa” na paisagem de séries de comédia produzidas atualmente. Seja na Europa ou nos Estados Unidos.
A fórmula é tão bem azeitada que a Netflix está produzindo remakes em outros países da Europa como Itália, Alemanha e Holanda. Nesse mês, já estreou na plataforma a versão francesa, chamada “Super Machos”. Com alguma variação e adaptação para o perfil francês, trata-se de uma reprodução do 1º ano da série original.
Olhar para as relações
Um das características mais interessantes da série, e que é potencializada nesse novo ciclo, é seu olhar tanto para as relações afetivas como profissionais. Como os protagonistas decifram e navegam por esses novos códigos da masculinidade e como isso os afeta no foro íntimo. Por exemplo, Raúl e sua bi curiosidade, a despeito de ser o arquétipo de macho alfa mais enraizado dos quatro; ou Pedro, precisando aprender a ser chefiado por uma mulher, entre tantos outros exemplos.
A longevidade da série fez com que ela se abrisse para as personagens femininas, que ganharam conflitos próprios nesse 3º ano e complementam os dramas dos personagens masculinos com mais riqueza e profundidade.
“Machos Alfa”, uma série barata e profundamente bem-sucedida, demonstra que a Netflix consegue produzir material de qualidade com apelo popular sem prescindir da inteligência e articulação das ideias. Esse talvez seja o maior predicado de uma série capaz de atrair um público diverso sem jamais alienar quem quer seja.