Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Regulação das apostas esportivas avança e Brasil caminha para disciplinar setor

Redação Culturize-se

Após um período de cinco anos de intensas discussões, a tão aguardada Medida Provisória destinada a regulamentar os jogos e as apostas esportivas finalmente ganhou forma no fim de julho e servirá como base para um projeto de lei que irá abordar questões mais complexas.

Denominada Medida n° 1.182 e datada de 24 de julho de 2023, o texto institui uma taxa tributária de 18% sobre a receita auferida pelas empresas no setor. Essa tributação incidirá sobre os ganhos provenientes dos jogos, após a dedução dos prêmios distribuídos e dos impostos de renda incidentes sobre tais prêmios.

apostas esportivas
Foto: Freepik

As estimativas do Ministério da Fazenda apontam que, com a efetivação da regulamentação, o governo federal pode angariar até R$ 2 bilhões em arrecadação para o ano de 2024. A partir de 2025, a previsão se expande para um fluxo entre R$ 6 bilhões a R$ 12 bilhões.

O sócio do Ambiel Belfiore Gomes Hanna, Tiago Gomes, advogado e especialista em Regulamentação de Jogos e Apostas, destaca que essa medida é um passo significativo para o governo federal, demonstrando um genuíno interesse em intervir nesse setor. Gomes salienta: “A indústria de jogos e apostas movimenta bilhões de reais anualmente, e ao longo dos últimos cinco anos, essa movimentação não gerou uma contribuição substancial para o país. Portanto, com essa medida, as empresas efetivamente estabelecer-se-ão no Brasil, passando a recolher tributos e a criar empregos.”

Essa regulamentação traz maior transparência e segurança ao mercado, conforme esclarece o sócio do Barcellos Tucunduva Advogados (BTLAW), especialista em Mercado de Games e eSports. Marcelo Mattoso afirma: “Seja para os consumidores ou para as próprias empresas que operam nessa atividade, e até mesmo do ponto de vista do consumidor, é benéfico que as empresas estejam baseadas no Brasil, assegurando os direitos dos consumidores, inclusive em relação a eventuais contratempos com empresas estrangeiras.”

Leia também: Especuladores adensam potencial da arte como investimento

Mattoso também enfatiza que a ação dos órgãos fiscalizadores e até mesmo do sistema judiciário fica limitada quando se trata de empresas baseadas no exterior. “Portanto, é crucial que essas empresas estejam sediadas aqui para garantir maior transparência, possibilitar a fiscalização e reduzir o risco de esquemas fraudulentos e outros problemas que podem surgir quando a atividade não é fiscalizada no país.”

Diretrizes à vista

Em relação às diretrizes tributárias, Mattoso observa que a nova MP modifica a lei de 2018, revogando certos artigos e introduzindo novas orientações. Uma delas envolve a taxa de imposto, que é fixada em 18%. Ele esclarece: “A alíquota se aplica conforme as disposições da lei de Contribuição Social, Educação, Fundo Nacional de Segurança Pública, Ministério do Esporte e o fundo para clubes e atletas ligados às apostas. Além disso, a lei delimita a proibição de participação em atividades de apostas para algumas categorias, incluindo menores de 18 anos, trabalhadores de casas de apostas, agentes públicos envolvidos na fiscalização do setor e pessoas listadas em cadastros de inadimplentes.”

As diretrizes referentes à publicidade para as casas de apostas também são mencionadas. Mattoso observa que haverá regras que estipulam multas e sanções administrativas para empresas que não se adequarem à legislação. Além disso, as empresas de apostas serão obrigadas a promover ações para conscientizar os apostadores sobre os riscos do vício em jogos.

Em termos de penalidades, empresas e casas que não seguirem as novas regulamentações poderão enfrentar sanções que variam de 0,1% a 20% da arrecadação da empresa, com um limite de R$ 2 bilhões por infração. Dependendo da gravidade, a licença de operação poderá ser revogada, resultando na suspensão das atividades.

Está prevista a criação da Secretaria Nacional de Jogos e Apostas no Ministério da Fazenda, com o objetivo de regular e fiscalizar as atividades das empresas que promovem apostas esportivas no Brasil.

De acordo com Tiago Gomes, a criação de uma secretaria específica vai permitir criar ainda mais especialização técnica dos quadros do Ministério da Fazenda dedicados à regulação.

“Essa é uma atividade eminentemente técnica, que requer conhecimento específico, e o Brasil estará seguindo a linha adotada em todos os mais de 30 países que regulam a atividade no mundo, que têm órgãos específicos para a sua regulação e fiscalização”, destaca Gomes, citando alguns países de grande potência no esporte, como o Reino Unido, Austrália e Canadá.

Líder em acessos no mundo

A ansiedade por regular esse mercado é grande porque os brasileiros são os que mais acessam apostas esportivas no mundo. O número de acessos pelos brasileiros é tão alto, que chega a ser quase duas vezes maior que o segundo colocado, os britânicos que são tradicionalmente associados às apostas esportivas. Somente no último ano, o interesse dos brasileiros por sites de apostas esportivas cresceu mais de 75%, principalmente influenciado pela Copa do Mundo.

Isso pode te interessar

Play

HFPA processa Penske Media e acusa conglomerado de boicotar o Globo de Ouro para comprá-lo

Streaming

YouTube Premium agrega Peacock e vira hub de streaming

Plataforma de vídeo aposta em modelo de agregação com esportes ao vivo e conteúdo da Universal

Inteligência Artificial

OpenAI exibe odds de apostas no ChatGPT e aquece debate sobre mercado de previsões

Plataformas como Kalshi e Polymarket tentam ganhar reputação por meio de marcas consolidadas

Play

Morgan Spector viverá Robert Langdon em série da Netflix

Ator de “The Gilded Age” assume papel icônico do simbologista em adaptação de “The Secret of Secrets”

Newsletter Gratuita

Tenha o melhor da cultura na palma da sua mão. Assine a newsletter gratuita de Culturize-se. Todos os dias pela manhã na sua caixa de e-mail.