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O fator Michael Shannon

Ator de esmero reconhecível, Michael Shannon estreia como diretor com “Eric Larue”, um filme que examina o caos na América contemporânea

Redação Culturize-se

Uma presença intimidadora, ainda que discreta, Michael Shannon fez sua fama nas beiradas de Hollywood, roubando a cena em filmes de grandes autores e brilhando em pequenos papeis em uma carreira mais sólida e desenvolta do que muitos A listeners de Hollywood podem ostentar.

Duas vezes indicado ao Oscar, como coadjuvante em “Foi Apenas um Sonho” (2008) e “Animais Noturnos” (2010), ele está no cinema desde o início da década de 90, mas apenas em meados dos anos 2000 chamou a atenção – em parte pela performance arrebatadora com um sujeito com algum problema mental e uma honestidade cortante no filme de Sam Mendes que lhe levou ao Oscar.

Michael Shannon
Foto: Rerodução/Variety

Agora, depois de ser vilão de Superman e trabalhar com cineastas da estirpe de William Friedkin, Guillermo Del Toro e Sidney Lumet, Michael Shannon está pronto para realizar. Ele estreou no último Festival de Tribeca “Eric Larue”, uma visão devastadora de uma mulher (Judy Greer) que é consumida pela dor e culpa depois que seu filho mata vários de seus colegas de classe. Este é seu primeiro filme como diretor.

“Eu não tinha predisposição para dirigir um filme”, diz Shannon em entrevista ao Deadline. “Sempre achei uma proposta intimidante. Parecia sempre um pesadelo – toda aquela responsabilidade. Todos precisando que você aprove tudo. Mas quando li o roteiro, pude simplesmente ver e sentir isso em meus ossos. Eu sabia que tinha que fazer, e me preocupei que se outra pessoa fizesse, simplesmente estragasse tudo.”

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O roteiro em questão é assinado por Brett Neveu, que Shannon conhece dos tempos em que atuava em uma companhia teatral de Chicago. “Eric Larue” havia sido encenado lá inicialmente em 2002, e Neveu achou que havia maneiras de expandir a ação da peça para que funcionasse na tela. Ele foi inspirado a escrever o drama por causa da morte de um amigo de infância, que se suicidou após descobrir uma arma enquanto ainda era estudante do ensino fundamental.

Nas décadas seguintes entre o espetáculo teatral e o filme, o número de tiroteios em escolas nos EUA – e até mesmo no Brasil – cresceu exponencialmente, tornando “Eric Larue” incrivelmente atual.

“Achei interessante contar essa história do ponto de vista da mãe de um assassino, porque acho que nunca vimos isso antes”, comenta Shannon. “Trata-se de um tiroteio em uma escola, mas trata-se de muitas outras coisas. Trata-se do nosso país e do que é viver aqui. Se eu tivesse apenas uma palavra para descrever sobre o que o filme trata, eu diria que trata-se de confusão.”

Para o ator e agora diretor, esse é o estado de espírito da América. “Costumava ficar muito ácido em relação aos meus sentimentos sobre a América e dizer coisas incendiárias sobre certos eventos”, diz ele, com a voz suavizando. “Agora, mais do que qualquer coisa, estou apenas confuso. Não sei se amo ou odeio este país. Não acho que a América faça sentido algum.”

Tirando o filme do papel

A produção de “Eric Larue” não escapou dos acirrados debates políticos que assolam o país. O filme inicialmente estava planejado para ser filmado em Little Rock, mas os cineastas optaram por se mudar para a Carolina do Norte depois que Roe v. Wade foi revogada e uma lei de gatilho em Arkansas entrou em vigor, proibindo praticamente todos os abortos, incluindo casos de estupro e incesto.

Pôster de Eric Larue

“Sentia fortemente que precisávamos nos mudar”, diz Shannon. “Essa insistência de que toda mulher tenha um bebê, não importa as circunstâncias de como ela engravidou. E a falta de interesse em ajudar essa pessoa quando ela chega ao mundo, é tudo muito confuso. Não entendo por que você iria obrigar que toda criança nasça e não estar pronto ou interessado em ajudá-las.”

Judy Greer, uma boa atriz com poucas chances de exibir seu talento em papeis mais desafiadores, colheu muitos elogios em Tribeca e pode ser uma contender na temporada de premiações que se avizinha.

Ela interpreta uma mulher tentando descobrir como seguir em frente em uma comunidade isolada ainda abalada pela carnificina causada por seu filho. Ela retorna ao trabalho em uma grande loja de departamentos, onde seu empregador parece insatisfeito em tê-la de volta. Ela lida com seu casamento fracassado – seu marido (Alexander Skarsgård) tornou-se cada vez mais religioso e distante de sua esposa. Ela tenta se encontrar com as mães de algumas das vítimas de seu filho. Mas uma paralisia emocional persistente a assombra.

“Judy é super inteligente e muito sensível, e tem essa enorme vida emocional que está muito presente”, diz Shannon. “Ela geralmente não tem a oportunidade de fazer algo assim, então isso parecia muito atrasado.”

Michael Shannon diz que gostou da experiência de fazer “Eric Larue”, mesmo que ele tenha “trabalhado mais duro nisso do que em qualquer outra coisa”. No entanto, ele não tem certeza se vai dirigir novamente.

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