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Tensão constante e boas atuações movem “Os Outros”

Série original do Globoplay se apoia em atuações destacadas de figuras como Adriana Esteves, Maeve Jinkings e Eduardo Sterblitch e revela a vocação de falar das dores de uma nova classe média

Por Reinaldo Glioche

Cena da série Os Outros
Foto: Divulgação

Existe uma máxima sartriana de que “o inferno são os outros”, uma assunção elegante como a obra do pensador francês sobre as dores do existencialismo e de como precisamos ter consciência de que somos responsáveis pelas consequências de nossas ações, embora frequentemente procuremos outros para atribuir e distribuir culpas.

E é sobre isso, não só, mas fundamentalmente, que versa a série original Globoplay “Os Outros”, criada pela mesma equipe de “Sob Pressão” e com a vocação de aludir os sabores e dissabores de uma nova classe média – não à toa um condomínio na Barra da Tijuca, bairro carioca que explodiu demograficamente nas últimas duas décadas, é onde praticamente toda a ação se dá.

Um soco de um adolescente em outro abre os trabalhos de um drama que jamais deixa a peteca da tensão cair. O incidente opõe duas famílias que dão vazão a ressentimentos sociais e culturais sem qualquer comedimento. A referência aqui é “Deus da Carnificina”, peça de Yasmina Reza já exaustivamente adaptada para o teatro e que virou um ótimo filme de Roman Polanski em 2011.

Embora esse conflito ocupe os três primeiros episódios – a primeira temporada chega ao fim na próxima sexta (7) – a série avança trazendo à baila outros temas pertinentes à vida de uma média emergente.

Cena da série do Globoplay, "Os Outros"

Há muitos pontos de condescendência aqui, como o fato dos empregos dos personagens subsidiarem aquele padrão de vida ou o fato do Barra Diamond ser o para-raio definitivo do carma, mas são elementos dramáticos de um pacto de verossimilhança com a audiência. Ademais, “Os Outros” reúne um punhado de excelentes atuações, com destaque para Adriana Esteves, Maeve Jinkings (um patrimônio que está para o Brasil como Cate Blanchett está para a Austrália) e Eduardo Sterblitch, uma revelação em um papel radicalmente diferente de tudo o que já fez antes.

É verdade que a serie, antes minissérie, mas o sucesso fez com que ganhasse uma nova temporada, hesita em sua estrutura dramatúrgica. Ora subserviente demais à lógica das novelas, ora estatuária das melhores séries americanas da era de ouro (“Breaking Bad”, “The Sopranos”, “Mad Men”, etc”). Mas é a dor da própria série ser fruto de uma dramaturgia de streaming emergente que o Globoplay mimetiza.

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