Search
Close this search box.

Nostalgia dos anos 90 move “Nintendo e Eu”

Longa filipino, que integrou a mostra do festival de Berlim, estreia no Brasil acenando para o público que aprecia aventuras de amadurecimento como “Conta Comigo” (1986) e “Superbad – É Hoje” (2007)

Por Reinaldo Glioche

Há uma cena de “Nintendo e Eu” em que três dos quatro protagonistas do filme entram em um banheiro, sacam uma revista Playboy e se masturbam loucamente para ver quem será o primeiro a ejacular. Não satisfeitos, arremessam a cueca batizada na parede para ver qual cola. Justo dizer que o filme de Raya Martin captura a adolescência como esse misto de videogames, masturbação e anseios – em especial o medo da circuncisão rende uma boa piada ao longo do filme.

A produção mostra meninos que são criados por mulheres, frequentemente superprotetoras, e que precisam se descobrir fora dessa manta de cuidado. Paolo (Noel Comia Jr.) se apaixona por Shiara (Elijah Alejo), a menina mais popular do bairro, e não percebe que sua amiga, Mimaw (Kim Chloie Oquendo), gosta dele.

Foto: divulgação

Esses pequenos dilemas pautam a rotina desses jovens, delineados com afeto pelo roteiro de Valerie Castillo Martinez. “Eu me lembro perfeitamente da manhã em que houve a erupção. Acordei, e vi tudo coberto de cinzas lá fora. É uma imagem muito vívida em minha memória, e isso me inspirou a criar essa história“, disse a também produtora em material enviado à imprensa. Os terremotos que causam a erupção e derrubam a energia elétrica nas Filipinas, fazendo com que as crianças não tenham outra alternativa a não ser viver fora dos confins de seus quartos tem uma umbilical relação com esses tempos hiper conectados.

O nome original do longa – “Death of Nintendo” – mimetiza, portanto, essa necessidade de buscar algo mais, já que o videogame não está à disposição, mas também um rito de amadurecimento. Quando a paixão entra em jogo e a circuncisão faz de meninos, homens, algo mais do que simbólico ficou para trás.

A articulação dos afetos é sempre tempestuosa, principalmente na adolescência e Martin consegue sublinhar isso de maneira tenra e otimista em “Nintendo e Eu”, um filme que mergulha nos anos 90, na estética e nas perspectivas, para estabelecer um contraponto valioso à atualidade.

Deixe um comentário

Posts Recentes