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Galerias apostam em curadoria para modernizar gestão e apreciação da arte

Figura do curador está em alta demanda em espaços que têm como finalidade promover a arte, mas que também precisam se viabilizar comercialmente

Por Mariana Soek

Está sacramentado. A curadoria nas galerias de arte é um caminho sem volta! Seja pela profissionalização que ela traz para o negócio ou pelo valor que agrega às exposições, a direção artística de um curador é uma tendência que deve invadir, cada vez mais, as galerias de arte do País.

A curadoria nasceu tempos depois da própria arte, afinal de contas, a arte existe desde que o mundo é mundo com nomes como Michelangelo ou Monet. No entanto, a curadoria enquanto profissão ganhou notoriedade no Brasil em meados dos anos 1950 e foi se popularizando aos poucos.

Duilio Ferronato, sócio diretor da Lona Galeria | Foto: arquivo pessoal

Atualmente, as galerias, especialmente, as de arte contemporânea, contam com esse serviço. Duilio Ferronato, sócio diretor da Lona Galeria, explica porque esse movimento é uma tendência principalmente neste estilo de arte: “a curadoria se tornou peça chave para se fechar um conceito. Sem justificativa, não é possível definir como contemporânea”, disse.

Algumas, inclusive, inauguram com ele, como a própria Lona. Já criada com parcerias. “Os Curadores foram consultados antes mesmo da inauguração do espaço”, conta Duilio.

A ponte entre o artista e a galeria

O curador é um estrategista ou planejador de uma exposição. Seu trabalho é pesquisar, organizar e planejar a apresentação para que o artista e sua obra sejam mostrados da melhor forma possível, estética e poeticamente.

A curadoria representa a importância de uma lógica visual, poética e histórica do processo do que você quer falar sobre a exposição, é o que afirma a curadora e professora de Artes Visuais na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Adriana Rodrigues Suarez.

É um trabalho minucioso que começa muito antes da exposição e exige uma série de detalhes e cuidados. Bruno Ferreira, coordenador da galeria 25M, explica que os curadores trazem sempre uma multiplicidade de olhares e leituras das obras que expõe no espaço.

“É fundamental que a mediação feita pelo texto curatorial exerça tanto a escuta dos processos dos artistas quanto uma fala mais próxima e familiar com o público. Isso com certeza impacta positivamente a fruição e o consumo das obras”, completa Bruno.

Além do elo que liga a galeria ao artista, o curador é o interprete da obra. É ele quem conduz o apreciador ou visitante pela exposição, envolvendo-o e o formando na história daquela apresentação. É uma grande responsabilidade!

Sem prescindir da liberdade

As galerias e os curadores tem a liberdade de abraçar mais de um projeto, pois, há a possibilidade de escolher curadores pontuais, tanto a 25M quanto a Lona Galeria trabalham dessa forma.

Na Lona, os curadores externos são parceiros convidados para uma exposição por ano. São convidados por afinidades, seja com o assunto da mostra ou com o artista que irá expor os seus trabalhos.

Obra da exposição Calor Específico de Bruno Ferreira, Fernando Lacerda, Lara Ovídio e Victor Nascimento na galeria 25M | Foto: divulgação

Na 25M o processo é parecido, são curadorias pontuais, que passam pela escrita dos textos e acompanhamento do processo. E há, ainda, uma curadoria geral dos projetos que a galeria conduz ao longo do ano, em que as mostras se relacionam e há uma espécie de fio condutor do projeto expositivo como um todo.

Essa liberdade faz com que cada projeto atraia público e alcance pessoas diferentes. Colabora também para a profissionalização da galeria, cada um com um olhar e percepção diferente sobre a exposição, agregando valor e contribuindo para apresentação das obras.

Segundo Adriana, há uma grande tendência e estímulo aos alunos seguirem carreira como curadores. “Não acho, mas tenho certeza que este profissional precisa invadir as galerias”.

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