Reinaldo Glioche
Com o novo filme de Wes Anderson, “O Esquema Fenício”, atualmente em cartaz nos cinemas, o diretor se uniu novamente à Montblanc para um novo curta-metragem, dando continuidade à colaboração do ano passado, filmada por Linus Sandgren. Desta vez, a direção de fotografia ficou a cargo de Darius Khondji, que trabalhou com Anderson no curta da Prada “Castello Cavalcanti“, de 2013. No novo projeto, Anderson dirige a si mesmo ao lado de Rupert Friend, Michael Cera, Waris Ahluwalia e Esther McGregor.
Aqui está a descrição oficial do curta, codirigido por Roman Coppola: “Temos o orgulho de apresentar Let’s Write, o próximo capítulo de nossa colaboração contínua com o cineasta visionário Wes Anderson. A nova campanha, com um curta dirigido por Wes Anderson, retorna à Biblioteca de Alta Montanha do Observatório Montblanc em uma jornada literal, metafórica e poética — uma que celebra a escrita, a criatividade e o espírito único de narrativa da Montblanc.”

Em 2024, para celebrar o centenário da icônica caneta Meisterstück, a Montblanc convidou Anderson para produzir um curta‑metragem de três minutos intitulado 100 Years of Meisterstück, em que ele também aparece como ator ao lado de seus colaboradores de longa data Rupert Friend e Jason Schwartzman.
Ainda mais singular, Anderson criou uma edição limitada de caneta chamada “Schreiberling 1969”, que chegará ao mercado neste ano — limitada a 1.969 unidades, referência ao ano de nascimento do diretor. “Montblanc pediu a Wes Anderson porque seu tipo de narrativa e estética coincidiam com os arquivos de cores da marca”, explicou Vincent Montalescot, dirigente da Montblanc, confirmando que o cineasta já explorava o acervo da maison com curiosidade estética.
O interesse de Anderson pelo universo da moda ganhou projeção maior na colaboração com a Prada. Em 2013, ele coproduziu com Roman Coppola o curta‑metragem Candy L’Eau para a fragrância feminina da marca, estrelado por Léa Seydoux. O filme, inspirado no clássico “Jules et Jim” e com tons de humor sofisticado, refletiu a elegância cinematográfica típica de Anderson.
Essas colaborações de Anderson — tanto com Montblanc quanto com Prada — não se baseiam apenas na assinatura do diretor, mas em uma consonância profunda: a valorização de objetos cotidianos como protagonistas, a atenção ao design, à cor, à simetria e aos detalhes que contam histórias de pertencimento, tempo e elegância. O próprio Anderson já declarou que, ao explorar os arquivos visuais ou estéticos das marcas, encontrou nelas a mesma poesia que anima seus filmes.