Reinaldo Glioche
A Warner Bros. está vivendo o tipo de ano com que a maioria dos estúdios só pode sonhar. Desde o começo do ano, a empresa tem dominado as bilheteiras com uma sequência de sucessos consecutivos, e a estreia neste fim de semana de “A Hora do Mal” consolidou esse momento de forma recordista. Abrindo com US$ 42 milhões – incluindo expressivos US$ 18,2 milhões no dia de estreia e US$ 5,7 milhões em pré-estreias nos EUA – o segundo longa de terror de Zack Cregger não apenas superou as expectativas; tornou-se o sexto filme consecutivo da Warner Bros. a estrear acima de US$ 40 milhões, um feito inédito na história de Hollywood.
O sucesso de “A Hora do Mal” carrega múltiplos significados para o estúdio. Do ponto de vista crítico, é um acerto total, com 96% de aprovação dos críticos e 88% do público no Rotten Tomatoes, além de um raro A- no CinemaScore. Isso o coloca em um grupo seleto em que apenas 14 filmes de terror desde 1981 alcançaram nota tão alta no CinemaScore. Comercialmente, o desempenho também é impressionante: “A Hora do Mal” já superou o total doméstico de “Barbarian”, estreia de Cregger, que faturou US$ 40,8 milhões nos EUA; marca que o novo longa atingiu em apenas um fim de semana. Vale destacar ainda que este é o segundo sucesso de terror da Warner em 2025 a conquistar nota A- ou superior, depois de “Pecadores”, de Ryan Coogler.
Mas “A Hora do Mal” é mais do que um sucesso isolado. Ele é o capítulo mais recente de uma sequência notável. Só em 2025, a Warner Bros. lançou “Pecadores”, “Um Filme Minecraft”, “F1 – O Filme”, “Premonição: Laços de Sangue”, “Superman” e agora “A Hora do Mal”, todos ultrapassando US$ 40 milhões no fim de semana de estreia. Mais impressionante ainda: metade desses títulos são propriedades totalmente originais, desafiando a narrativa predominante na indústria de que apenas franquias garantem grandes aberturas.
No começo de setembro, outro terror com potencial de alargar esse recorde chega às salas: “Invocação do Mal 4”.

Overdose de estatísticas
Os números falam por si. “Pecadores” se tornou o filme original de maior bilheteria desde “Coco”, com mais de US$ 200 milhões nos EUA, superando “Tubarão” como o segundo maior terror doméstico da história. “F1: O Filme” arrecadou mais de US$ 570 milhões no mundo, tornando-se o filme de maior bilheteria da carreira de Brad Pitt. “Um Filme Minecraft” quebrou recordes com uma abertura global de US$ 313,2 milhões e fechou com US$ 950 milhões. Já “Premonição: Laços de Sangue” é agora o título mais rentável da franquia, e “Superman”, de James Gunn, superou US$ 569 milhões globalmente, posicionando o reboot do DCU como uma base sólida para o futuro do estúdio.
Ao todo, a Warner Bros. já arrecadou US$ 1,45 bilhão no mercado doméstico este ano, liderando a indústria com folga. A Disney aparece em segundo lugar, mas é a capacidade da Warner de equilibrar narrativas originais com franquias de peso que parece apontar para um futuro do mercado.
Para o estúdio, “A Hora do Mal” é a prova de que sua estratégia está funcionando. Ao confiar em cineastas ousados, investir em conceitos inéditos e combiná-los com campanhas de marketing inteligentes, a Warner Bros. criou um modelo que rende frutos tanto na crítica quanto na bilheteria.