Redação Culturize-se
Indicado ao prêmio de Melhor Espetáculo de Humor no FITA 2025, “Vale Night” retorna ao Teatro Gláucio Gill, em Copacabana, para temporada de 7 a 30 de março. Escrita e dirigida por Renata Mizrahi, a peça traz no elenco Vilma Melo, Luana Martau e Aline Carrocino, que interpretam três mulheres atravessadas pelos dilemas, afetos e contradições da maternidade contemporânea.
A narrativa acompanha Paula (Aline Carrocino), Virgínia (Vilma Melo) e Carla (Luana Martau), mães de bebês que se conhecem por meio de um grupo de WhatsApp. Pela primeira vez, decidem se encontrar presencialmente em um bar para compartilhar uma noite de descanso — a chamada “vale night”, expressão popular entre mães que conseguem algumas horas livres da rotina exaustiva. O encontro, no entanto, ultrapassa o tom descontraído inicial e se transforma em um acerto de contas com expectativas sociais, frustrações pessoais e sonhos adiados.
Combinando humor e densidade dramática, o espetáculo questiona a idealização da maternidade como experiência exclusivamente plena. Ao longo da conversa, as personagens expõem inseguranças, solidões e pressões impostas às mulheres, ao mesmo tempo em que constroem um espaço de identificação e escuta mútua. A dramaturgia aposta na alternância entre riso e emoção para tensionar a narrativa e aproximar o público de experiências frequentemente silenciadas.
Renata Mizrahi desenvolveu o texto a partir de vivências pessoais e relatos compartilhados em grupos de apoio entre mães. Mãe solo, a autora afirma que a peça nasceu como uma forma de elaborar o período pós-parto. “É um recorte de três perfis distintos, mas que compartilham nuances profundas. A intenção é criar uma noite de encontro e acolhimento”, afirma.
Desde a estreia, em 2019, no Rio de Janeiro, “Vale Night” acumulou temporadas em espaços como Cândido Mendes, Café Pequeno e o próprio Gláucio Gill, além de circulação em Portugal, com apresentações em Lisboa e outras cidades. Em 2024, integrou o Festival de Teatro do Midrash e, neste ano, participou do FITA Festival, com sessões em horário nobre para mais de 1.500 espectadores.
A montagem tem direção de produção de Sandro Rabello e iluminação de Ana Luzia Molinari, reforçando a proposta de uma encenação intimista que privilegia a força do texto e das interpretações.
