Por Carolina Pera
A peça “A Comunidade do Arco-Íris”, baseado na única obra infantil de Caio Fernando Abreu, encerrou temporada no CCBB paulista no fim de semana.
Com final que pode surpreender, já que é escolhido pelo público, brinquedos e seres mágicos decidem viver numa comunidade na floresta, longe do mundo dos humanos, onde não há poluição e nem consumo desenfreado. A chegada de três gatos a esse recanto de paz, provoca discussões sobre confiança, respeito, amizade e democracia. Caio escreveu esta obra em uma época que estava exilado. Outra “semelhança” é o amor que o soldadinho tem por jardinagem, algo a que Caio se dedicou nos últimos anos de vida em Porto Alegre.
A montagem é dirigida por Suzana Saldanha, sob supervisão de Gilberto Gawronski. Com hino musicado por Tony Bellotto e por seu filho, João Mader e um elenco de peso, com Bianca Byington, Raquel Karro, Tiago Herz, Lucas Oradovschi, Lucas Popeta, André Celant, Renato Reston e Patricia de Farias. Além disso, conta com participação especial em vídeo de Malu Mader na abertura do espetáculo.
Bianca Byington, que interpreta com primor uma Bruxa de Pano, comenta que não conhecia esse lado do autor “surpreendentemente leve, que não perde o sarcasmo em pequenas brincadeiras”. Para a atriz, chama a atenção que, em 1971, ele tenha dado importância à questão ambiental. “Abordagem simples, sem militância, mas no fundo fala o que realmente importa, a insatisfação em relação ao mundo capitalista, ao consumo”, diz.
Mais do que uma peça infantil, “A Comunidade do Arco-Íris” é um mergulho poético no olhar sensível e crítico de Caio Fernando Abreu. Um espetáculo que desperta reflexões atuais e necessárias, até mesmo em adultos.