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Uma cidade ocupada pela arte: Rio de Janeiro lança Semana Cultural inédita

Redação Culturize-se

Entre os dias 7 e 14 de setembro, o Rio de Janeiro viverá uma experiência inédita: a 1ª Semana de Arte e Cultura, evento que promete transformar a cidade em uma grande ocupação artística. Fruto da parceria entre a Feira de Arte do Rio — a ArtRio, em sua 15ª edição — e a Secretaria Municipal de Cultura, a iniciativa chega com a proposta de organizar e ampliar algo que já vinha acontecendo de forma espontânea nos últimos anos: a multiplicação de eventos culturais paralelos à feira.

Agora, pela primeira vez, há uma agenda oficial que reúne artes visuais, cinema, dança, teatro, arquitetura, música, design e múltiplas expressões artísticas, ocupando museus, galerias, centros culturais e ruas de todas as regiões da cidade. Todas as atividades serão gratuitas, reforçando o caráter democrático da programação.

A abertura oficial acontece no dia 7, domingo, com a Parada 7, cortejo que parte do Museu de Arte Moderna (MAM) rumo ao Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, na Praça Tiradentes. Com o tema Imagine um Novo Mundo — Bandeiras da Utopia, a ação reunirá obras de 100 artistas que se transformam em bandeiras carregadas pelas ruas até o local da exposição, que ficará aberta até 15 de novembro.

Além de nomes brasileiros, a Parada 7 contará com artistas estrangeiros de países integrantes do BRICS, selecionados pela BRICS Arts Association. O desfile, cuja concentração começa às 13h,, simboliza o espírito da Semana: ocupar os espaços urbanos com arte, provocar reflexões e aproximar diferentes públicos.

Para o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, o evento tem como propósito consolidar o Rio como destino internacional da criatividade. “O Rio precisa ser o destino de artistas, colecionadores, distribuidores e críticos de arte. Temos que reconhecer que a cidade é a capital da criatividade da identidade brasileira e fazer com que o mercado da arte seja impulsionado também por políticas públicas”, afirmou.

A gerente de Relacionamento e Comunidade da ArtRio, Vivian Gandelsman, destaca a inspiração na Semana de Arte de Berlim, que conecta galerias e museus em uma agenda comum. “Os espaços já existem, já têm programações interessantes, mas quando a gente organiza, cria-se um ecossistema e ocupa-se esses locais. A única premissa era que fossem espaços públicos e gratuitos. São mais de 35 eventos cadastrados só na Zona Sul, com a intenção de formar público e estimular o pensamento crítico, porque a arte é transformadora.”

Arte em toda a cidade

A programação prevê mais de 70 mil visitantes, com circuitos organizados pela Secretaria de Cultura em equipamentos como o Parque Glória Maria e o Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, em Santa Teresa; a Galeria de Arte Angelo Venosa, no Flamengo; e o Museu Histórico da Cidade, na Gávea.

Exposições de artistas renomados e emergentes se espalham por diversos bairros. No Jardim Botânico, Oskar Metsavaht apresenta Acqua no Studio OM.art, enquanto Fernanda Froes instala Utopia Botânica no Museu do Jardim Botânico. Ainda na região, Gaetano Pesce e Zaven Paré exibem Cromática no Legado Rio.

Na Gávea, as mostras variam entre escultura, instalação e performance, como Elataquidentro, de Bete Esteves, no Solar de Grandjean de Montigny, e Para seu olhar, de Gabriela Machado, na Anita Schwartz Galeria de Arte. Rogério Reis expõe registros do carnaval carioca em Deixa falar, enquanto Iole de Freitas apresenta obras inéditas na Silvia Cintra + Box 4.

Ipanema também terá destaque com Daniel Senise, que traz Vivo confortavelmente no museu à Galeria Nara Roesler, celebrando sua trajetória iniciada na célebre exposição Como vai você, Geração 80.

Na Lagoa, a Casa Museu Eva Klabin apresenta a coletiva Transformai as velhas formas do viver, que propõe um mergulho ético e poético nas insurgências do tempo. No Leblon, Amalia Giacomini investiga geometria em Linha, espaço, tempo, enquanto uma coletiva na Flexa dá visibilidade à produção de artistas indígenas contemporâneos.

Secretário de Cultura Lucas Padilha, Maria Luz Bridger e Vivian Gandelsman, da ArtRio, e Duda Magalhães, da Dream Factory | Foto: Divulgação

Em Botafogo, Gustavo Prado e Desali exploram relações de espaço na Athena, enquanto Sebastião Salgado expõe Trabalhadores na Casa Firjan. A Pinakotheke Cultural inaugura O início do mundo, com 78 obras de mulheres artistas, e uma homenagem ao crítico Frederico Morais.

Copacabana recebe Aline Motta, com Filha natural, e Carlos Vergara, com Além da pintura, enquanto Junia Penido apresenta trabalhos que brincam com iconografia na Nonada ZS. Na Glória, o Memorial Getúlio Vargas recebe A cor que brota, de Thaís Basilio, e o Tropigalpão promove performances e shows, como o de Arto Lindsay.

Em Santa Teresa, Uýra apresenta Terras caídas, sobre desmatamento e povos indígenas, no Parque Glória Maria. No mesmo espaço, a artista conduz a performance poética Espiral da morte. O bairro também receberá rodas de conversa, exposições e atividades para o público infantil.

Integração com a ArtRio

Durante a ArtRio, na Marina da Glória, visitantes terão à disposição vans e ônibus gratuitos que farão rotas até os equipamentos da Secretaria Municipal de Cultura. Os trajetos incluem visitas mediadas, sorteios de ingressos e livros, criando um intercâmbio ativo entre a feira e os circuitos da Semana.

No estande da SMC na feira, trabalhos de 33 artistas — selecionados por Cesar Oiticica Filho — serão exibidos, unindo nomes consagrados e emergentes.

Para Duda Magalhães, presidente da Dream Factory, empresa organizadora da ArtRio, a iniciativa reforça o papel da feira como catalisadora. “Queremos potencializar os impactos de um dos maiores eventos de arte da América Latina ampliando e diversificando o perfil dos públicos. Em setembro, o Rio será uma grande ocupação artística.”

Impacto cultural e econômico

A Semana de Arte e Cultura busca mais do que ampliar a oferta cultural. A expectativa é que, ao distribuir eventos por diferentes bairros, o público circule mais pela cidade, gerando impacto também no turismo e na economia criativa.

Segundo Vivian Gandelsman, “hoje, nossa arte representa menos de 2% da receita do mercado mundial, mas temos uma programação cultural incrível para apresentar e vender a produção daqui. Queremos atrair instituições e um público mais internacional do que nunca”.

Nesse sentido, a Semana se coloca como uma ferramenta concreta de política cultural, fortalecendo o mercado, mas também criando oportunidades de fruição gratuita para quem vive na cidade.

Ao oficializar esse circuito e ampliá-lo, a 1ª Semana de Arte e Cultura pretende inaugurar um calendário cultural de grande alcance. Mais do que somar-se à ArtRio, o evento abre caminho para que o Rio se consolide como um polo internacional de arte, em sintonia com grandes capitais como Berlim e Nova York.

“Cidades se transformam pela cultura. Nosso compromisso é contribuir para que a arte esteja no centro da vida urbana, como política pública e ferramenta concreta de transformação”, resume Vivian Gandelsman.

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