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Tradutores brasileiros enfrentam calotes e desvalorização no mercado editorial

Redação Culturize-se

A crescente precarização do trabalho de tradutores literários no Brasil tem gerado indignação e mobilização entre profissionais da área. Uma reportagem da revista piauí revela casos recorrentes de calotes e atrasos de pagamento por parte de editoras renomadas, como Âyiné e Leya Brasil, além da crescente ameaça representada pelo uso de inteligência artificial na tradução de obras.

Um dos casos emblemáticos é o da jornalista e historiadora Paula Carvalho, que traduziu o livro “Europe’s India”, de Sanjay Subrahmanyam, para a editora Âyiné. Apesar de ter entregue a tradução em abril de 2023, Carvalho só recebeu parte do pagamento após insistentes cobranças e precisou recorrer à Justiça para garantir o restante. Outros oito tradutores relataram situações semelhantes com a mesma editora.

A reportagem também destaca a atuação do coletivo “Quem Traduziu”, fundado por tradutoras em 2023, que já reúne mais de 600 assinaturas em um manifesto por melhores condições de trabalho. Entre as reivindicações estão remuneração justa, contratos mais transparentes e o reconhecimento da autoria do tradutor, inclusive com participação nos lucros das vendas.

Além dos problemas contratuais, os profissionais enfrentam a ameaça da substituição por ferramentas de inteligência artificial. A editora Manole, por exemplo, lançou livros creditando a tradução ao “departamento editorial com auxílio de IA”, o que gerou críticas da categoria. Embora algumas editoras tenham recuado diante da repercussão negativa, o avanço da tecnologia preocupa.

Como lembra a tradutora Debora Fleck, “no Brasil, quem traduz literatura vive um paradoxo: é peça-chave da indústria livreira, mas sofre com a invisibilidade e a desvalorização profissional”. A reportagem completa, assinada por Gabriel Jareta, pode ser conferida na revista piauí.

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