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Tony Ramos e Denise Fraga celebram o poder do encontro em peça que mistura emoção, humor e crítica social

Redação Culturize-se

O reencontro do público com Tony Ramos nos palcos e o primeiro encontro de sua trajetória com Denise Fraga resultam em um espetáculo que é, ao mesmo tempo, um convite à empatia e uma celebração da arte teatral. “O que só sabemos juntos”, apresentado pelo Ministério da Cultura e Bradesco Seguros, estreou em abril no Teatro Tuca, em São Paulo, e chega agora ao Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro, para uma curta temporada até 30 de novembro. O trabalho idealizado pela NIA Teatro – grupo formado por Denise, o diretor Luiz Villaça e o produtor José Maria – propõe uma experiência coletiva de reflexão sobre o papel da arte em tempos de isolamento e crise de escuta.

Com 61 e 41 anos de carreira, respectivamente, Tony e Denise dividem o palco em um diálogo que combina humor, crítica e emoção. A peça é construída a partir de interações diretas com a plateia e de um roteiro que mistura textos próprios, memórias pessoais e fragmentos de autores como Bell Hooks, Olga Tokarczuk, Dorrit Harazim, Annie Ernaux, Fernando Pessoa e Arnaldo Antunes. Cenas inspiradas em “Tio Vânia”, de Anton Tchekhov, e “Galileu Galilei”, de Bertolt Brecht, reforçam a dimensão atemporal do teatro como ferramenta de pensamento e transformação. A dramaturgia conecta temas urgentes – da crise climática à solidão digital, das desigualdades de gênero à fragilidade das relações humanas – em um mosaico de sensações que espelha o mundo contemporâneo.

O espetáculo é conduzido por um elenco de artistas convidados, com destaque para a direção musical de Fernanda Maia e uma banda formada exclusivamente por mulheres. A presença feminina na criação e na execução sonora reforça a pluralidade de olhares e a delicadeza do diálogo proposto. A cenografia de Duda Arruk, a iluminação de Wagner Antônio e o figurino de Verônica Julian criam um ambiente intimista e simbólico, que transforma o palco em espaço de encontro genuíno. “O que só sabemos juntos” se constrói a cada noite como um espetáculo único, criado com e para o público, a partir da troca e da escuta.

A peça busca relembrar o que nos une – as memórias compartilhadas, as pequenas histórias e os gestos cotidianos que nos tornam humanos. Denise Fraga define o trabalho como uma tentativa de reencontrar “um alfabeto coletivo”, perdido na falta de empatia e de escuta. Tony Ramos, por sua vez, reforça o poder da dúvida e da reflexão no ofício do ator. Em um tempo de certezas fáceis e polarizações, “O que só sabemos” juntos surge como uma celebração da arte que nos aproxima e nos desperta. Um espetáculo que lembra, com poesia e humor, que ninguém sabe nada sozinho.

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