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Com "Never/Know", The Kooks redescobrem sua essência indie em clima de verão

Redação Culturize-se

Os veteranos do indie de Brighton, The Kooks, estão de volta com “Never/Know“, seu sétimo álbum de estúdio — e um dos trabalhos mais coesos e ensolarados desde o disco de estreia, “Inside In/Inside Out”, de 2006. Quase duas décadas após o sucesso inicial, a banda mostra que seu talento para melodias leves, guitarras cintilantes e letras afiadas não apenas continua firme, mas está mais apurado do que nunca.

Desde os primeiros acordes da faixa de abertura e título “Never Know”, fica claro que os Kooks estão em território familiar, mas com uma energia renovada. Com a linha de baixo groovada de Jonathan Harvey e a batida constante de Alexis Nunez, a música desliza com uma confiança relaxada. Os vocais de Luke Pritchard — ainda carismáticos sem esforço — se fundem perfeitamente ao órgão de Hugh Harris, criando o que parece ser a trilha sonora ideal para uma viagem de verão. O refrão harmônico “Never know when it’s gonna stop” define o tom de um álbum que equilibra introspecção com alegria.

Singles como “Sunny Baby” e “All Over the World” mantêm essa vibração ensolarada, trazendo influências retrô dos anos 60 e 70. “Sunny Baby” é especialmente transportadora, evocando uma atmosfera onírica com linhas de guitarra cintilantes e lirismo romântico: “You know that when you kiss me / you make me feel 10 foot tall.” Já “All Over the World” mistura bubblegum pop com harmonias luxuosas e sintetizadores brincalhões — ideal para relaxar ao sol ou balançar em um festival.

Ao longo de “Never/Know”, os Kooks flertam com a nostalgia, mas nunca se apoiam apenas nas glórias do passado. “If They Could Only Know” remete ao charme indie de sucessos antigos como “She Moves In Her Own Way”, oferecendo aos fãs de longa data um retorno caloroso ao som de 2006. Mas há evolução aqui também. Faixas como “Compass Will Fracture” revelam um lado mais robusto da banda, com uma seção rítmica pulsante e um solo de guitarra que explode no trecho final — um lembrete de que o grupo ainda está disposto a ousar sonoramente.

“China Town” desacelera o ritmo com um calor acústico e harmonias de estilo vintage, enquanto “Tough at the Top” mistura riffs com toques de reggae e vocais mais crus, evocando tanto The Police quanto a atitude inicial dos próprios Kooks. “Arrow Through Me” e “Echo Chamber” mantêm o tom etéreo: a primeira evoca luxo e calma; a segunda soa como uma canção de ninar inspirada nos Beatles, filtrada pelo indie pop moderno.

Foto: Divulgação

A faixa final, “Talk About It”, amarra o álbum com um último surto groovado — guitarras dançantes, baixo cósmico e a voz de Pritchard desfilando com um charme à la Rolling Stones. É um encerramento à altura de um disco que soa meticulosamente trabalhado, mas jamais forçado.

“Never/Know” é um testemunho da longevidade dos The Kooks. Há alegria, profundidade e um verdadeiro senso de liberdade criativa aqui. Esta não é uma banda operando no piloto automático. É um grupo redescobrindo o que os torna especiais — e nos lembrando como é bom mergulhar nesse som em uma tarde de verão.

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