Redação Culturize-se
A partir deste fim de semana, o Brasil será palco da Temporada França-Brasil 2025, um dos maiores eventos culturais já realizados entre os dois países. A iniciativa, lançada pelos presidentes Emmanuel Macron e Luiz Inácio Lula da Silva, marca os 200 anos de relações diplomáticas e reúne mais de 300 atividades em 15 cidades brasileiras até dezembro, em áreas como artes visuais, música, cinema, debates, educação e ciência.
A abertura oficial aconteceu em Brasília na quinta (21), no Museu Nacional da República, em cerimônia conduzida pela ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, e pela ministra da Cultura da França, Rachida Dati, além de autoridades diplomáticas e representantes dos institutos culturais responsáveis pela temporada — o Instituto Guimarães Rosa e o Institut français.
Antes da cerimônia institucional, a capital federal já era tomada por atrações do Festival Convergências, pelo fórum Juventude e Democracia, realizado no Sesi Lab, com 80 jovens franceses e brasileiros em debates sobre igualdade de gênero, desinformação, empreendedorismo social e fortalecimento democrático.
Nos próximos dias, a programação segue com shows e exposições, incluindo o festival musical CoMA, no Centro Cultural Banco do Brasil, com artistas do Brasil, França e África.
Uma temporada com raízes históricas
A Temporada França-Brasil 2025 é o terceiro grande momento de intercâmbio cultural entre os países. O primeiro ocorreu em 2005, com o Ano do Brasil na França, seguido pelo Ano da França no Brasil, em 2009. Agora, a proposta vai além da troca cultural: busca construir pontes em torno de três grandes eixos — clima e transição ecológica, diversidade das sociedades e democracia.
Esses temas dialogam diretamente com eventos globais de grande impacto, como a Conferência da ONU sobre os Oceanos, que aconteceu em junho de 2025 em Nice, e a COP30, em novembro, em Belém do Pará.
São Paulo e Belém ampliam as conexões
Após a abertura em Brasília, a temporada ganha força em outras capitais. Em São Paulo, o Sesc Pompeia recebe, em 23 de agosto, a exposição “O Poder de Minhas Mãos”, com obras de 25 mulheres artistas do Brasil, França e países africanos, em colaboração com o Musée d’Art Moderne de Paris. No mesmo espaço, será apresentado o Concerto Brasil-França, com músicos dos três continentes sob direção de Lucas Santtana.
O Sesc Pinheiros inaugura no dia 24 a exposição Play – Bienal Têxtil de Clermont-Ferrand, e ao longo dos meses seguintes, outras unidades do Sesc recebem espetáculos, residências artísticas, ciclos de cinema e debates. Um dos destaques é a mostra O Mundo através da I.A., no Sesc Campinas, que investiga os impactos da inteligência artificial na percepção da realidade.
Em Belém, os holofotes se voltam para a Bienal das Amazônias, que contará com forte presença de artistas da Guiana Francesa e das Antilhas, além do seminário científico Conexões Amazônicas, em preparação para a COP30.

Cultura, ciência e diversidade em destaque
Entre os destaques nacionais estão a participação de artistas franceses na Bienal de São Paulo, o projeto binacional Ecos da Amazônia, que reunirá jovens músicos da Guiana Francesa e do Pará, e a presença da cantora Zaho de Sagazan no Festival Cocktail Molotov, em Recife. No Rio de Janeiro, a Mostra de Cinemas Africanos exibirá produções contemporâneas, enquanto o Fórum Econômico Franco-Brasileiro da Transição Energética reunirá especialistas dos dois países.
Outra atração marcante será a ópera-balé “Les Indes Galantes”, de Rameau, recriada pela coreógrafa Bintou Dembele com dançarinos franceses e brasileiros de hip hop, no Theatro Municipal de São Paulo, encerrando a temporada.
Diplomacia cultural como ponte para o futuro
Além da agenda artística, a temporada reforça a diplomacia cultural como ferramenta de integração. “Trata-se de reconhecer o intercâmbio cultural e o diálogo social como propulsores de sociedades mais solidárias, democráticas e diversas”, afirmou Luiz Galina, diretor do Sesc São Paulo, um dos principais parceiros locais.

O projeto conta com apoio de grandes empresas como ENGIE, L’Oréal, LVMH, Carrefour, Banco do Brasil e Petrobras, consolidando-se como uma das mais abrangentes iniciativas culturais internacionais já realizadas no Brasil.
Com sua diversidade de linguagens e propostas, a Temporada França-Brasil 2025 não apenas comemora dois séculos de laços diplomáticos, mas projeta os próximos, reafirmando os valores comuns de cultura, democracia e sustentabilidade.