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Tatiana Blass encena o tempo e a matéria em “Contrarregra”

Redação Culturize-se

O palco está montado, mas a cena não é exatamente aquela que se espera. Em “Tatiana Blass – Contrarregra”, primeira exposição institucional da artista em São Paulo, o que normalmente permanece nos bastidores ganha protagonismo. Em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, até 25 de outubro, a mostra reúne cerca de 50 obras produzidas entre 2008 e 2026, entre pinturas, esculturas, instalações, vídeos e trabalhos inéditos.

Com curadoria de Ana Roman e Lahayda Mamani Poma, a exposição parte da figura do contrarregra — profissional que organiza os elementos necessários para que a cena aconteça sem ocupar o centro do palco — para propor uma leitura da trajetória de Blass. A pintura é o ponto de partida, mas sua pesquisa se expande por materiais como vidro, bronze, cera e cerâmica e por linguagens que incluem performance, som e instalação.

A matéria, sobretudo, aparece como algo em permanente transformação. Em diferentes trabalhos, luz, calor, gravidade e movimento interferem sobre as formas, fazendo do tempo não apenas um tema, mas parte constitutiva da obra.

Entre os destaques estão as novas pinturas da série Contraluz, realizadas sobre vidro. Nelas, arquitetura, iluminação e deslocamento do visitante passam a integrar a própria imagem. Obras de séries como Metade da fala no chão, Quebra-quebra, , Noite-dia e Contrarregra aprofundam o diálogo entre pintura, escultura, som e palavra.

A expografia, desenvolvida em diálogo com a artista, transforma as salas em um espaço de encenação. Dois palcos integram o percurso e reforçam a noção de bastidor que estrutura a mostra.

A música também entra em cena. O encontro de Blass com o compositor Kiko Dinucci resultou em trabalhos inéditos a partir de pinturas recentes e terá um desdobramento presencial: um pocket show do músico em 3 de outubro. Quatro performances também ocuparão os palcos ao longo da exposição, ampliando a investigação sobre corpo, som, palavra e duração.

“Contrarregra” propõe um olhar menos para o acontecimento acabado e mais para tudo aquilo que o torna possível.

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