Redação Culturize-se
Bruce Springsteen voltou a se colocar no centro da música de protesto americana com o lançamento de “Streets of Minneapolis”, uma nova e contundente canção que condena as ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e do governo Trump após os assassinatos de Alex Pretti e Renee Macklin Good em Minneapolis.
Lançada com impressionante imediatismo, a música foi escrita em um sábado, gravada no dia seguinte e divulgada publicamente em menos de 48 horas. Em um comunicado que acompanhou a faixa, Springsteen afirmou que ela é uma resposta ao “terror de Estado imposto à cidade de Minneapolis”, dedicando-a aos moradores da cidade, às comunidades imigrantes e à memória de Pretti e Good. “Permaneçam livres”, escreveu ao final, ecoando o tom desafiador da canção.
“Streets of Minneapolis” é um grito de mobilização em banda completa, no estilo clássico da E Street Band, conduzido por uma performance vocal crua que não deixa espaço para ambiguidades. Springsteen cita diretamente o presidente Donald Trump e condena o que chama de “exército privado” do Departamento de Segurança Interna, homenageando Pretti e Good em versos que contestam frontalmente as versões oficiais sobre suas mortes. A letra faz referência a vídeos de testemunhas e questiona as alegações de legítima defesa feitas por autoridades federais, enquadrando os assassinatos como símbolos de abusos de poder mais amplos.
O refrão transforma o luto em determinação, retratando Minneapolis tanto como um palco de violência quanto de resistência, e prometendo memória coletiva e ação no “inverno de 26”. Trata-se de música de protesto no sentido mais tradicional de Springsteen: específica, ancorada na narrativa e assumidamente moral.
O lançamento sucede uma série de declarações públicas de Springsteen criticando ações federais em Minneapolis. No início deste mês, durante uma participação no festival Light of Day, em Nova Jersey, ele dedicou “The Promised Land” a Renee Macklin Good e endossou o apelo do prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, para que o ICE deixasse a cidade. Denúncias semelhantes ao governo Trump também aparecem no EP ao vivo do ano passado, “Land of Hope & Dreams”, gravado em Manchester, na Inglaterra.
Com “Streets of Minneapolis”, Springsteen reafirma uma tradição de décadas de canções politicamente engajadas, usando urgência, clareza e indignação para registrar um momento que, para ele, não pode ser esquecido.