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Mostra em SP reflete sobre confinamento, trabalho e anonimato nas metrópoles globais

Redação Culturize-se

Entre 3 de março e 12 de julho, a CAIXA Cultural São Paulo apresenta Solidão Coletiva, primeira exposição individual dedicada a Julio Bittencourt na instituição. Com curadoria de Guilherme Wisnik e expografia assinada por Daniela Thomas, a mostra reúne oito séries fotográficas produzidas entre 2016 e 2023, resultado de um trabalho de observação em metrópoles como São Paulo, Nova York, Tóquio, Mumbai, Pequim e Jacarta.

O título dialoga com a reflexão da filósofa Hannah Arendt sobre a sociedade moderna, estruturada em torno do trabalho e marcada pela redução do indivíduo a agente funcional. Nas imagens de Bittencourt, grupos humanos aparecem imersos em rotinas produtivas, fluxos incessantes de informação e espaços que impõem contenção física e simbólica. O confinamento — ainda que nem sempre explícito — atravessa as séries como elemento recorrente.

Distante do registro de acontecimentos extraordinários, o fotógrafo concentra-se em estados de suspensão. Corpos anônimos surgem em situações de espera, repetição ou adaptação a ambientes que os condicionam. De funcionários isolados em escritórios a trabalhadores alojados em hotéis cápsula, a privação deixa de ser exceção e se revela como engrenagem estrutural do cotidiano urbano. Para Wisnik, há uma dimensão política que se afirma não pela denúncia direta, mas pela insistência em tornar visível o que costuma passar despercebido.

As oito séries funcionam como capítulos de uma narrativa aberta, marcada por tensão e ressonância entre as imagens. Transitanto entre o documental e o conceitual, Bittencourt utiliza a fotografia como linguagem crítica, desprendida do imediatismo factual, mas atenta à potência poética do olhar. O resultado é um conjunto que articula estética rigorosa e reflexão social.

Foto: Júlio Bittencourt

Nascido no Brasil e criado entre São Paulo e Nova York, Bittencourt desenvolve pesquisas sobre vida urbana, identidade e relações entre indivíduos e seus ambientes por meio da fotografia, do vídeo e de instalações. Autor de livros como “Na vitrine do Prédio Prestes Maia 911”, “Ramos” e “Mar Morto”, teve trabalhos exibidos em mais de vinte países e publicados em veículos internacionais. Atualmente radicado em Paris, é representado pelas galerias Lume, em São Paulo, e da Gávea, no Rio de Janeiro.

Apresentada pela CAIXA Cultural, com realização da Phi Projetos e Cinnamon e patrocínio da CAIXA e do Governo do Brasil, Solidão Coletiva propõe ao público uma reflexão sobre os modos de existência em um mundo cada vez mais povoado e, paradoxalmente, mais solitário.

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