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Entre carnificina e desgaste, "SISU 2" testa os limites do cult de ação

Redação Culturize-se

A sequência “SISU: Estrada da Vingança” chega discretamente ao público brasileiro, disponível diretamente para aluguel e compra no streaming, sem passagem pelos cinemas. Escrita e dirigida novamente por Jalmari Helander, a produção retoma o universo violento e estilizado que transformou “Sisu” (2023) em um cult improvável, mas o faz sob o peso inevitável da comparação com o impacto do original. Jorma Tommila retorna como Aatami Korpi, o veterano finlandês conhecido como “o homem que se recusa a morrer”, agora decidido a reconstruir sua vida (literalmente) ao transportar os restos de sua antiga casa para além da fronteira russa no pós-Segunda Guerra.

A premissa mantém a mitologia pessoal do personagem: Korpi forja a própria morte e tenta escapar do passado marcado pela invasão soviética e pelo massacre de sua família. O problema é que o passado não aceita ser enterrado. Stephen Lang surge como Igor Draganov, ex-oficial do Exército Vermelho obcecado em concluir a missão que falhou no primeiro filme. A partir daí, “Estrada da Vingança” se estrutura como uma longa perseguição transfronteiriça, marcada por emboscadas, mutilações gráficas e confrontos cada vez mais exagerados, incluindo motociclistas blindados e ataques aéreos.

Se, por um lado, Helander preserva a fisicalidade brutal e o humor macabro que definiram “Sisu”, por outro a continuação sofre com um esvaziamento dramático evidente. Ao transformar Korpi em uma figura praticamente imortal, o filme dilui suas próprias apostas narrativas. A violência continua inventiva em momentos pontuais, mas perde impacto à medida que se torna previsível. A divisão da trama em capítulos com títulos ilustrativos pouco acrescenta à progressão da história, funcionando mais como ornamento do que como recurso narrativo eficaz.

Foto: Divulgação

Há também um desgaste no ritmo. O que antes parecia uma explosão de energia inesperada agora se alonga em sequências repetitivas de confrontos, sem a urgência que sustentava o original. Mesmo a presença carismática de Stephen Lang, entregue a diálogos repletos de clichês militares, não consegue imprimir densidade ao antagonismo central. O pano de fundo histórico — a ocupação soviética de territórios finlandeses e as feridas abertas pela guerra — permanece interessante, mas é explorado de maneira superficial, servindo mais como justificativa moral para a carnificina do que como reflexão.

“SISU: Estrada da Vingança” ainda oferece entretenimento cru para fãs de ação extrema e violência estilizada, com momentos que arrancam risos nervosos pela audácia gráfica. No entanto, distante do frescor e da surpresa do primeiro filme, a sequência confirma que repetir a fórmula sem reinventá-la pode transformar fúria desenfreada em mero ruído prolongado.

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