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Com Jon Hamm, "Seus Amigos e Vizinhos" se vale da sátira para desvendar amarguras da vida

Por Reinaldo Glioche

Dez anos depois de “Mad Men”, que o catapultou à fama, Jon Hamm volta a protagonizar uma série com “Seus Amigos e Vizinhos”, uma comédia dramática espirituosa do AppleTV+ sobre a amargura masculina em envelhecer. Os nove episódios do primeiro ano já estão disponíveis no streaming. Criada por Jonathan Tropper (“Banshee” e “Warrior”) a produção se tornou a primeira temporada de uma série mais assistida da história da plataforma.

Hamm, um tipo carismático e naturalmente elegante, dá vida a Andrew Cooper, um gestor de fundos que após ser demitido resolve começar a invadir as casas de seus vizinhos no bairro de elite em que mora para custear o alto padrão de vida que ele e sua família ostentam.

Além da demissão, um daqueles lances de sacanagem corporativa, Coop ainda se recupera da traição que sofreu da esposa Mel (Amanda Peet) e seu amigo, o ex-jogador de basquete Nick (Mark Talmman). Ele, é bem verdade, encontra consolo nos braços de Sam (Olivia Munn), que também foi traída pelo ex-marido.

A primazia, “Seus Amigos e Vizinhos” é uma sátira da vida dos (muito) ricos, mas a sátira aqui é apenas um meio e não o fim. A qualidade do texto é ímpar e tudo remonta à excelente construção dos personagens e ao desenvolvimento dos conflitos. Não há gratuidades no roteiro, embora uns personagens sejam mais bem dimensionados do que outros.

O peso da idade, das escolhas, das frustrações e o hábito de operar em um mercado de riscos levam Coop a um mundo inóspito em que ele vai descobrir novas aptidões, parceiros e entender alguns dos equívocos que cometeu pelo caminho. Ter um ator como Jon Hamm aumenta o impacto de qualquer produção e, no caso de “Seus Amigos e Vizinhos”, isso afere profundidade dramática sem prescindir dos mecanismos de humor que oxigenam as muitas camadas da trama.

O elenco de apoio condiz com as expectativas. Especialmente Amanda Peet, que há muito tempo não tinha um papel tão desafiador e que lhe permitisse exercer sua musculatura dramática. Alvo de antipatia instantânea da audiência, pela série já começar com ela com o rótulo de infiel, a atriz reveste sua Mel de melancolia e um abismo existencial que encontra eco naquele que enxergamos em Coop. Talvez por isso, algo que a série trabalha muito bem, eles se redescobrem tão próximos.

A despeito de ter uma segunda temporada confirmada, “Seus Amigos e Vizinhos” poderia muito bem ser uma série limitada. O desfecho funciona perfeitamente para aqueles personagens – e talvez o estudo proposto sobre o protagonista não possa sequer avançar -, mas faz sentido algo tão bem azeitado ter sequência em meio a um aumento exponencial de produções descartáveis no streaming.

Tanto no escopo do entretimento, como no eixo mais reflexivo, “Seus Amigos e Vizinhos” se mostra singular, arvorando-se como um dos highlights do audiovisual em 2025.

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