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Setor editorial brasileiro encolhe pelo quinto ano consecutivo, mas vê crescimento no mercado digital

Redação Culturize-se

A mais recente edição da Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, conduzida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), com apuração da Nielsen BookData, revela um cenário preocupante: o setor editorial acumula, pelo quinto ano seguido, queda real nas vendas ao mercado. Desde 2006, o encolhimento chega a 44%, o que representa uma retração expressiva no alcance da produção editorial. Considerando também as vendas para o governo, o recuo total é de 30% em quase duas décadas.

O principal fator por trás da retração em 2024 foi a forte queda no subsetor de livros didáticos, que responde por grande parte do faturamento das editoras. Pela primeira vez em 19 anos, o número de exemplares didáticos vendidos ao mercado ficou abaixo dos 30 milhões. A queda acumulada no subsetor desde 2006 é de 51%, e, pela primeira vez, a venda direta ao mercado representou menos de 40% do faturamento das editoras especializadas nesse tipo de publicação.

“O encolhimento do mercado impacta diretamente a formação de leitores e o acesso ao conhecimento. Precisamos de um pacto nacional em defesa do livro, da leitura e da educação de qualidade”, alertou Sevani Matos, presidente da CBL. Já Dante Cid, presidente do SNEL, reforça que a queda nos segmentos com maior valor médio, como CTP (Científico, Técnico e Profissional) e Didáticos, afeta toda a cadeia produtiva: “É preocupante ver esse cenário num país que deveria estar expandindo o acesso ao livro como ferramenta de combate às desigualdades sociais.”

Embora os subsetores CTP e Didáticos tenham liderado as quedas, os demais segmentos também apresentaram retração. O subsetor CTP caiu 61% desde 2006. Em 2024, ainda que tenha registrado leve melhora (queda de 2%), esse foi seu melhor desempenho da década. Já os livros religiosos apresentaram a menor queda entre os subsetores, com retração de 10% nos últimos 19 anos — embora os preços ainda estejam estagnados desde 2013. Obras Gerais, por outro lado, demonstraram certa resiliência: apesar da queda no número de exemplares vendidos, houve recuperação de preços, que hoje se aproximam dos níveis de 2010. Ainda assim, o preço médio continua 27% abaixo do registrado em 2006.

Se o mercado de impressos atravessa um período de retração, o conteúdo digital surge como um ponto de respiro para o setor. A Pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro mostra crescimento consistente nos últimos anos. A modalidade “à la carte” — compra unitária de e-books e audiobooks — cresceu 200% nos últimos seis anos. As chamadas “outras categorias”, que incluem bibliotecas virtuais, assinaturas e plataformas educacionais, cresceram 30% em 2024, sendo que as bibliotecas virtuais tiveram um salto de 378% desde 2018.

Esse desempenho foi decisivo para que, pela primeira vez, o setor editorial registrasse crescimento real em 2024, descontada a inflação, graças exclusivamente ao avanço do conteúdo digital, que hoje representa 9% do mercado.

O contraste entre os mercados físico e digital revela uma transformação em curso no setor, que, diante de tantos desafios, encontra na inovação digital um caminho possível para se reinventar.

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