Redação Culturize-se
“Indomável” (Untamed), da Netflix, estrelada por Eric Bana, surge como um thriller criminal ambientado na vastidão imponente de Yosemite National Park (a produção foi gravada no Canadá). Em seis episódios, o drama assenta sua força visual na paisagem inacreditável do parque, mas compromete sua fruição com subtramas dispersas e um roteiro ocasionalmente oscilante.
Logo nos primeiros minutos, a narrativa grava na memória do espectador uma cena aterradora: uma mulher cai de El Capitan e fica entalada nos cabos de escalada de dois rapazes que escalavam a montanha – um choque visual que estabelece o tom da narrativa. A partir disso, acompanhamos o agente Kyle Turner (Eric Bana), que investiga a morte e enfrenta seus próprios traumas e fracassos pessoais, como o casamento e a morte do filho.
Bana entrega uma atuação sólida, ancorando o personagem em modos contidos e emocionalmente carregados. Ao seu lado, Lily Santiago, como a ranger novata Naya Vasquez, equilibra seu personagem com determinação e sobriedade. A química entre ambos é um dos pontos fortes da obra. Rosemarie DeWitt, como Jill, ex-esposa de Turner, e Sam Neill, no papel do chefe de parque Paul Souter, vestem bem seus papéis, mas têm pouco espaço para aprofundar personagens bastante promissores.

Visualmente, “Indomável” é um deleite. A câmera parece literalmente respirar Yosemite – com imagens autênticas, sem CGI, de florestas, penhascos e rios que conferem peso simbólico à jornada de seus protagonistas. A direção de fotografia reforça a imersão, transmitindo a sensação de uma natureza ao mesmo tempo bela e perigosa.
“Indomável” se esforça para elevar o procedural por meio da introspecção e da paisagem inóspita – mas paga o preço por uma abordagem segura demais, que nunca ousa sair da trilha prevista para conquistar emocionalmente. Ainda assim, se assevera como um entretenimento acima da média no catálogo da Netflix.