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Morre Robert Redford, ícone que transformou fama em arte e ativismo

Redação Culturize-se

Robert Redford, um dos ícones mais duradouros de Hollywood e incansável defensor do cinema independente, morreu aos 89 anos. O ator, diretor, ativista e fundador do Festival de Sundance faleceu pacificamente em seu sono na madrugada de 16 de setembro, em sua casa nas montanhas de Utah. Sua morte encerra uma carreira singular de seis décadas que deixou marcas profundas tanto no cinema mainstream quanto no independente.

Nascido Charles Robert Redford Jr. em Santa Monica, Califórnia, em 1936, cresceu em uma família de origem operária. A juventude foi marcada por rebeldia e dificuldades: perdeu a mãe aos 18 anos, foi expulso da Universidade do Colorado por causa da bebida e trabalhou em campos de petróleo antes de vagar pela Europa, onde estudou arte em Paris e Florença. A experiência acabou levando-o a Nova York, onde ingressou na American Academy of Dramatic Arts. Pensava em ser cenógrafo, mas encontrou sua vocação na atuação.

Após participações em séries como “Perry Mason”, “Os Intocáveis” e “Dr. Kildare”, destacou-se na Broadway em “Barefoot in the Park” (que virou o filme “Descalços no Parque”, de 1967, ao lado de Jane Fonda). Mas foi sua atuação como Sundance Kid em “Butch Cassidy and the Sundance Kid” (Butch Cassidy, 1969), com Paul Newman, que o lançou ao estrelato e inaugurou a era da “Nova Hollywood”.

Reencontrou Newman em “Golpe de Mestre” (1973), vencedor de sete Oscars e que lhe rendeu sua única indicação como ator. Nos anos 1970, estrelou obras como “O Candidato”, “Três Dias do Condor”, “O Grande Gatsby” e “Todos os Homens do Presidente”, reafirmando seu interesse por política e jornalismo. Embora visto como galã, Redford sempre buscou romper esse rótulo.

Em 1980, estreou na direção com “Gente como a Gente”, que ganhou quatro Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. Depois, dirigiu “Milagro, a Terra do Sonho”, “Nada é para Sempre”, que lançou Brad Pitt, “Quiz Show – A Verdade dos Bastidores” e “O Encantador de Cavalos”. Em 2013, protagonizou “Até o Fim”, um drama quase sem diálogos, aclamado pela crítica.

Seu maior legado, no entanto, talvez seja o Festival de Sundance, criado em 1981, que deu voz a cineastas independentes e lançou obras como “Cães de Aluguel”, “Sexo, Mentiras e Videotape”, “Meninos Não Choram”, “Corra!”, “Pequena Miss Sunshine”, entre tantos outros. Redford via o festival como uma ponte entre a margem e o centro da indústria.

Fora das telas, foi ativista ambiental, defensor dos direitos indígenas e crítico político. Recebeu de Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade por sua contribuição à cultura. Sua vida pessoal foi marcada por alegrias e tragédias, como a morte de dois filhos. Casou-se duas vezes, a última com a pintora alemã Sibylle Szaggars, com quem viveu até o fim.

Mesmo recluso, permaneceu ativo até os últimos anos, com participações em “Capitão América: O Soldado Invernal” e “Um Ladrão com Estilo”, que anunciou como despedida.

Com sua morte, o cinema perde não apenas um astro luminoso, mas um visionário que acreditava no poder da arte para transformar. Como ele próprio disse certa vez: “Meu trabalho sempre foi criar obras que importassem, que talvez pudessem mudar algo.”

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