Redação Culturize-se
A premiada montagem “Rei Lear”, da Cia. Extemporânea, retorna a São Paulo para duas apresentações nos dias 24 e 25 de fevereiro, às 20h, na sala Nydia Lícia do Teatro Sérgio Cardoso. O espetáculo integra a programação do equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, sob gestão da Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA), e marca o reencontro do público paulistano com uma das encenações mais celebradas do teatro brasileiro recente.
Dirigida por Ines Bushatsky, a montagem propõe uma releitura contundente da tragédia de William Shakespeare, com elenco formado integralmente por drag queens: Alexia Twister, Antonia Pethit, DaCota Monteiro, Ginger Moon, Lilith Prexeva, Maldita Hammer, Mercedez Vulcão, Thelores e Xaniqua Laquisha. A adaptação do texto é assinada por João Mostazo, que atualiza a obra sem perder a força poética e política do original.
O reconhecimento crítico veio acompanhado de importantes prêmios. Em 2025, Alexia Twister venceu o Prêmio Shell de Melhor Ator por sua interpretação do Rei Lear, tornando-se a primeira drag queen a conquistar a principal distinção do teatro brasileiro. Em 2024, a Cia. Extemporânea recebeu o Prêmio Arcanjo – Prêmio Especial por “inovar Shakespeare com drags”, e DaCota Monteiro foi indicada ao Prêmio Prio de Humor.
Aclamado pela crítica, o espetáculo foi eleito pela Folha de S. Paulo como uma das melhores peças de 2024, com avaliação máxima. Após a estreia no Sesc Consolação, a montagem passou por teatros como Alfredo Mesquita e Arthur Azevedo, além de circular por importantes festivais nacionais, entre eles o Festival de Curitiba, o FIT-Rio Preto e o Festival Nacional de Teatro de Recife. Ao longo de 2024 e 2025, mais de 10 mil espectadores assistiram à peça em diferentes cidades do país.
O retorno a São Paulo acontece dentro do projeto “Amanhã, e depois, e amanhã: 10 anos de Cia. Extemporânea”, contemplado pelo Fomento ao Teatro, com ingressos a preços populares. Na trama, Lear, rei da Bretanha, decide dividir seu reino entre as filhas, desencadeando traições, disputas de poder e uma lenta descida à loucura — temas que ganham novas camadas de leitura nesta encenação contemporânea.
