Redação Culturize-se
A OpenAI apresentou na última semana o GPT-5, seu modelo de IA mais recente e avançado até agora. O lançamento marca a primeira grande atualização numérica da empresa em mais de dois anos e chega em um cenário de IA bastante diferente. Duas das pessoas que apareceram na cobertura do The New York Times sobre o lançamento do GPT-4 deixaram a OpenAI desde então para liderar suas próprias startups bilionárias de inteligência artificial. Nesse meio tempo, a OpenAI lançou melhorias graduais (incluindo o confusamente nomeado GPT-4.5, em fevereiro), mas guardou o número “5” para o que esperava ser um salto real de qualidade.
O caminho até o GPT-5, porém, foi turbulento. Conflitos internos, incluindo um modelo fracassado com o codinome Orion, atrasaram o progresso. Até junho, fontes disseram ao The Information que nenhum dos modelos em desenvolvimento parecia merecer o nome GPT-5. Agora que ele chegou, a questão é: o GPT-5 corresponde às expectativas?
O GPT-5 agora é o modelo padrão para todos os usuários do ChatGPT, incluindo os da versão gratuita. A OpenAI o descreve como uma combinação de modelos, que encaminha consultas mais simples para versões mais rápidas e menos intensivas em recursos, reservando o “raciocínio profundo” para tarefas complexas. O resultado é um ganho de velocidade perceptível — tanto que o CEO Sam Altman brincou dizendo que às vezes se pergunta se o modelo responde rápido demais, correndo o risco de perder nuances.
Para o usuário comum, a experiência pode ser comparada a trocar de iPhone: melhor em muitos aspectos, mas essencialmente o mesmo aparelho. Usuários Pro ganham acesso a duas variantes especializadas — GPT-5 Thinking (para respostas mais aprofundadas) e GPT-5 Pro (apresentado como “inteligência em nível de pesquisa”). Usuários gratuitos podem pedir para o modelo “pensar mais”, mas a OpenAI removeu, de forma controversa, o seletor de modelos, forçando todas as consultas a passarem pelo GPT-5.
Testadores iniciais relatam experiências majoritariamente positivas, embora poucos digam que ele revoluciona fluxos de trabalho. Simon Willison, conhecido por seus experimentos curiosos com desenhos de pelicanos gerados por IA, chamou o GPT-5 de seu “novo modelo favorito”, elogiando sua confiabilidade e menor propensão a alucinações. Outros, como Dan Shipper, do Every, observam que, embora o GPT-5 se destaque no raciocínio, ainda inventa respostas quando pressionado fora de sua zona de conforto — a menos que seja instruído a “pensar por mais tempo”.
A apresentação da OpenAI não foi impecável. Alguns gráficos enganosos (incluindo um em que uma pontuação menor aparecia com barra maior) geraram piadas, com o The Verge chamando o caso de “crime gráfico”. A empresa corrigiu rapidamente as imagens, mas o deslize reforçou que o GPT-5 está longe de ser perfeito.
Concorrência acentuada, mas a OpenAI segue na liderança

O ChatGPT domina o mercado de IA para consumidores, com 700 milhões de usuários semanais – bem à frente do Gemini do Google (450 milhões mensais) e do Claude da Anthropic. A OpenAI também soma 5 milhões de clientes corporativos, contra 3 milhões em junho, e deve faturar cerca de US$ 12 bilhões anuais.
Ainda assim, o GPT-5 não supera de forma esmagadora rivais em áreas-chave como programação. Alguns desenvolvedores afirmam que o Claude Code com Opus continua sendo melhor, enquanto Michael Truell, CEO da Cursor, declarou que o GPT-5 é “o modelo mais inteligente” que sua equipe já viu. As reações mistas sugerem que, embora a OpenAI mantenha a dianteira, os concorrentes não estão tão distantes.
Um dos avanços mais interessantes do GPT-5 é o recurso safe completions, uma nova abordagem para moderação de IA. Em vez de simplesmente recusar solicitações de risco (por exemplo: “Como faço fogos de artifício?”), o modelo redireciona o usuário para alternativas seguras, explicando suas limitações sem deixá-lo frustrado.
Essa lógica reflete uma mudança mais ampla na filosofia de moderação de conteúdo — indo além do binário “remover ou permitir” que há anos afeta as redes sociais. A solução da OpenAI não é perfeita, mas representa um passo na busca por equilíbrio entre segurança e utilidade.