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Quem sente mais o impacto da inteligência artificial

Redação Culturize-se

A ESPM divulgou um estudo que lança luz sobre um dos temas mais sensíveis do mundo do trabalho contemporâneo: o impacto da inteligência artificial nas ocupações no Brasil. Elaborado pelo PRISMA – Observatório de Negócios do curso de Administração, o relatório “Impacto da Inteligência Artificial sobre as Ocupações no Brasil” aplica de forma inédita o índice internacional AI Occupational Exposure (AIOE) aos microdados da PNAD Contínua do IBGE, oferecendo um retrato detalhado da exposição dos trabalhadores brasileiros às tecnologias de IA.

O levantamento revela que ocupações altamente cognitivas estão entre as mais suscetíveis à automação baseada em inteligência artificial. Profissões como matemáticos, contadores, economistas, juízes, dirigentes financeiros, publicitários e professores universitários apresentam índices de exposição acima de 113, bem superiores à média nacional. Atividades ligadas à administração, à análise e ao processamento de informações também figuram no topo da lista, indicando que tarefas baseadas em dados, cálculos, textos e decisões estruturadas estão no centro da transformação tecnológica.

Na outra ponta, funções predominantemente manuais e fortemente dependentes do contexto físico seguem menos impactadas. Trabalhadores da construção civil, pedreiros, agricultores, lavradores manuais e bailarinos apresentam índices de exposição entre 73 e 85, refletindo as limitações atuais da automação em atividades que exigem coordenação motora complexa, improvisação e adaptação a ambientes variáveis.

O estudo também mostra que a exposição da força de trabalho brasileira à IA vem crescendo de forma contínua na última década, com uma breve estabilização durante a pandemia. Em 2025, o país atinge o maior nível histórico de inserção em ocupações sensíveis à IA, impulsionado pela expansão de atividades intensivas em informação. Esse avanço, porém, não ocorre de maneira homogênea. Trabalhadores com maior escolaridade e renda concentram os níveis mais altos de exposição, assim como aqueles residentes em estados mais urbanizados.

Do ponto de vista regional, São Paulo, Rio de Janeiro e o Distrito Federal aparecem como os estados mais impactados, enquanto regiões com maior dependência de agricultura e construção civil apresentam menor sensibilidade. O relatório também identifica diferenças associadas à distribuição racial no mercado de trabalho, ainda que de forma mais sutil, apontando para a necessidade de análises mais aprofundadas sobre desigualdades estruturais.

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Para Erika Buzo Martins, coordenadora do curso de Administração da ESPM-SP, o estudo chega em um momento decisivo. “A inteligência artificial não é apenas uma tendência tecnológica; ela já está reorganizando o mercado de trabalho brasileiro. Entender essas transformações é fundamental para formar profissionais capazes de atuar em um ambiente em que análise crítica, criatividade e adaptabilidade serão cada vez mais essenciais”, afirma.

Já o desenvolvedor do levantamento, Rafael Lionello, destaca que o principal mérito do estudo está na capacidade de revelar nuances. “A inteligência artificial é uma força transformadora, mas seus efeitos variam muito entre regiões, setores e perfis de trabalhadores. Nosso objetivo foi oferecer evidências concretas para decisões mais informadas e políticas mais inclusivas”, diz.

Ao concluir que a IA não elimina ocupações inteiras, mas transforma tarefas e reorganiza atividades, o relatório reforça a urgência de políticas de formação e requalificação. Para Jorge Ferreira dos Santos Filho, coordenador do PRISMA, mapear quem está mais exposto à IA é um passo essencial para preparar o país para o futuro do trabalho.

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