Redação Culturize-se
O Piauí se prepara para receber, entre novembro e março de 2026, a exposição “Piauí Afropindorâmico”, um projeto fotográfico e sensorial que propõe uma imersão na ancestralidade e na diversidade cultural do estado. A mostra estreia em Oeiras, no dia 4 de novembro, e passará ainda por Amarante, Lagoa de São Francisco e Parnaíba, em um percurso que pretende conectar diferentes territórios e comunidades piauienses por meio da arte.
Inspirada no conceito do pensador contracolonial e quilombola Nêgo Bispo, a exposição parte da ideia de que negros, indígenas e quilombolas são “afropindorâmicos” — um termo que une “afro”, de África, e “pindorâmico”, de Pindorama, nome dado pelos povos originários ao território brasileiro. Essa fusão expressa o desejo de resgatar as identidades que moldaram o país desde suas origens, valorizando os modos de vida e a cosmovisão dos povos tradicionais.
Idealizada pelo fotógrafo e cineasta Chico Rasta, com curadoria de Marcos Moraes, a mostra reúne 50 fotografias impressas e mais de 600 imagens em exibição virtual, em um ambiente sensorial que combina sons, aromas, objetos, instrumentos ancestrais e até uma rede de tucum, criando uma experiência imersiva. O projeto homenageia indígenas, quilombolas, ribeirinhos, quebradeiras de coco, pescadores, marisqueiras e povos de terreiro, destacando sua contribuição para a identidade piauiense e sua resistência frente às transformações sociais e ambientais.

Para o secretário de Estado da Cultura, Rodrigo Amorim, a exposição representa um marco na política cultural do Piauí por integrar diferentes regiões e fortalecer o pertencimento. “Projetos como este mostram a potência da cultura piauiense e o quanto nossos espaços culturais podem se tornar lugares vivos de troca e aprendizado. A circulação da exposição pelas casas da Secult é uma forma de descentralizar a cultura e reconhecer a importância dos nossos povos tradicionais”, afirmou.
Chico Rasta ressalta que a mostra é fruto de mais de quinze anos de trabalho de campo. “Percorri o território piauiense registrando paisagens, fauna e, sobretudo, as pessoas que estão na gênese do nosso Estado. É uma grande homenagem a quem cuida e preserva esses territórios”, diz o artista. A iniciativa tem patrocínio do Governo do Estado do Piauí, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), e busca reafirmar o papel da arte como instrumento de memória, identidade e valorização das comunidades tradicionais.