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Pesquisa global da Deezer revela que 97% das pessoas não distinguem música feita por IA de criação humana

Redação Culturize-se

A inteligência artificial já é parte do cotidiano musical, mas ainda desperta mais desconfiança do que fascínio. Uma pesquisa encomendada pela plataforma Deezer e conduzida pela Ipsos revelou que 97% das pessoas não conseguem diferenciar músicas totalmente geradas por IA das compostas por humanos. O estudo, realizado com 9 mil participantes em oito países — incluindo o Brasil —, é o primeiro levantamento mundial dedicado a entender como o público percebe e reage à música criada por inteligência artificial.

Os resultados mostram um desejo global por transparência e valorização dos artistas. Quatro em cada cinco entrevistados (80%) defendem que músicas criadas por IA devem ser claramente identificadas nas plataformas de streaming. A maioria também acredita que é antiético usar material protegido por direitos autorais para treinar modelos de IA sem consentimento dos criadores (73%) e teme que a remuneração de músicos e compositores seja ameaçada (70%).

Para o CEO da Deezer, Alexis Lanternier, os dados confirmam a importância de proteger a autoria artística e garantir clareza aos ouvintes. “As pessoas querem saber se estão ouvindo faixas feitas por IA ou por humanos. Também não há dúvida de que há preocupação com o impacto da IA sobre a criação e a remuneração dos artistas”, afirmou.

Foto: Freepik

A Deezer, que recebe mais de 50 mil faixas totalmente geradas por IA por dia — cerca de 34% de todo o conteúdo enviado à plataforma —, é a única empresa do setor que rotula explicitamente as músicas sintéticas. A ferramenta de detecção, lançada em 2024, identifica produções de modelos generativos como Suno e Udio e serve de referência para outras entidades, como a Billboard, que passou a usar o sistema para classificar suas paradas musicais.

No Brasil, os resultados refletem tanto entusiasmo quanto cautela. O país lidera a curiosidade sobre a tecnologia (76%) e o uso ativo de ferramentas de IA (42%), mas 60% dos brasileiros acreditam que a automação pode reduzir a criatividade na música. Mesmo assim, 76% afirmaram que ouviriam uma faixa feita por IA por curiosidade.

A pesquisa também revela que a IA é vista como uma força ambígua na indústria musical. Embora 51% dos entrevistados globais reconheçam que ela terá papel relevante na criação artística nos próximos dez anos, quase dois terços (64%) temem uma perda de originalidade e o aumento de músicas “genéricas”.

Estudo recente da CISAC e da PMP Strategy, citado pela plataforma, estima que até 25% das receitas de criadores podem estar em risco até 2028 devido à proliferação da IA, o equivalente a 4 bilhões de euros.

Além de rotular as faixas sintéticas, a Deezer remove músicas 100% geradas por IA de suas recomendações e playlists editoriais, reduzindo o risco de manipulação de reproduções e fraude nos royalties. Segundo a empresa, até 70% das reproduções dessas faixas são não autorizadas.

Com duas patentes registradas para sua tecnologia de detecção, a Deezer quer estabelecer um padrão para o setor e reafirmar a importância de distinguir o que é humano e o que é sintético no cenário musical.

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