Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Sofia Carson, uma estrela nos seus próprios termos

Redação Culturize-se

Sofia Carson sabe como comandar um palco; e uma carreira. No início deste ano, ela fez uma entrada triunfante no evento global de fãs da Netflix, o Tudum 2025, descendo dos andaimes do Kia Forum, com transmissão ao vivo para quase 200 países. “Claro que esse foi meu primeiro pedido”, disse ela à Vanity Fair. “Gostaria de voar até o Forum, por favor e obrigada.” Esse charme autoconfiante não é só para impressionar – é a mesma segurança que a levou de revelação da Disney a uma das estrelas mais rentáveis da Netflix.

Há apenas uma década, Carson nunca tinha pisado em um set de filmagem. Sua grande oportunidade veio ao interpretar Evie na trilogia “Descendentes” da Disney – uma personagem que mudou sua vida. Após o fim da franquia, em 2019, ela migrou para a Netflix com “Feel the Beat” (2020) e, depois, com “Corações Marcados” (Purple Hearts, 2022), filme no qual atuou, coescreveu e coproduziu. O longa liderou os rankings da Netflix em 82 países e teve a trilha sonora mais ouvida da plataforma no Spotify. Depois veio “Bagagem de Risco” (2024), em que Carson atuou ao lado de Taron Egerton em um thriller natalino – o segundo filme em inglês mais popular da história da Netflix.

Esse sucesso consolidou seu vínculo único com a plataforma. Seu filme seguinte, “A Lista da Minha Vida”, também alcançou o topo em mais de 70 países. Agora, ela dá continuidade à sua trajetória com “Meu Ano em Oxford”, que estreou no último fim de semana, misturando romance literário e charme britânico. Carson interpreta Anna De La Vega, uma jovem do Queens que estuda poesia em Oxford e se apaixona por seu monitor, vivido por Corey Mylchreest. A carga emocional do filme, especialmente uma cena que aborda microagressões raciais, reflete a identidade da própria atriz, filha de imigrantes colombianos.

Ao longo da carreira, Carson escolheu cuidadosamente seus papéis. Desde o início, recusou roteiros que retratavam mulheres hispânicas de forma estereotipada ou degradante. “Fiz uma promessa a mim mesma desde cedo: nunca me venderia por fama”, afirma. Essa integridade nem sempre foi compreendida por executivos homens, mas acabou lhe rendendo autoridade criativa. Como produtora e protagonista de “Corações Marcados”, Carson se estabeleceu como artista e tomadora de decisões.

Foto: Reprodução/Vanity Fair

Suas raízes na performance remontam aos tempos de estudante da UCLA, onde se formou em comunicação e teve como área secundária relações internacionais. Venceu o teste para viver Evie superando nomes como Zendaya e credita a “Descendentes” o início de sua trajetória profissional. A experiência também lhe trouxe amizades duradouras – especialmente com o falecido Cameron Boyce, descrito por ela como “uma das pessoas mais extraordinárias que já entrou na minha vida.”

Mesmo tendo lançado seu álbum de estreia em 2022 e continuando a trabalhar com música, Carson sempre resistiu à pressão de se moldar ao arquétipo da popstar da Disney. “Um dos executivos mais importantes da indústria colocou a mão na minha cintura – apertando um pouco demais – e sussurrou no meu ouvido que, até eu começar a cantar mais sobre sexo, usar menos roupa e falar mais palavrões, eu nunca teria sucesso.” Cantar no palco do Oscar em 2023 – sem ceder a nenhuma dessas exigências – foi, segundo ela, “a experiência mais extraordinária e legitimadora.”

Sua relação com a Netflix não é apenas criativa, mas também estratégica. Carson participa de análises regulares de desempenho, estudando os dados da audiência para entender o que gera impacto. Ela abraça esse duplo papel de artista e produtora, usando as informações para tomar decisões, sem abrir mão de sua intuição artística. “Vivemos em um mundo com tanta escuridão que lançar algo que proporcione luz ou escapismo se tornou essencial na minha carreira.”

Sua audiência abrange faixas etárias e gêneros diversos – uma prova de que seu alcance é amplo e duradouro. Ainda assim, Carson mantém sua vida pessoal longe dos holofotes. “Nunca falei sobre minha vida pessoal, nunca”, diz ela. Esse controle sobre sua privacidade ajuda a preservar um senso de normalidade, mesmo com a fama crescente dificultando esse equilíbrio.

Em breve, Carson estrelará “Last Night at the Lobster”, uma dramédia intimista dirigida por Wagner Moura, com Elisabeth Moss e Brian Tyree Henry no elenco. Ela está empolgada para se desafiar artisticamente e espera, no futuro, assumir papéis mais densos e transformadores. Confortável como estrela da era do streaming, a atriz se orgulha de permanecer fiel a si mesma. “Ouvir que as pessoas assistem a um filme porque eu estou nele é, não sei… talvez até além dos meus sonhos mais loucos.”

Isso pode te interessar

Arquitetura & Urbanismo

Primeira Bienal brasileira aposta em identidade e contexto para repensar o espaço construído

Reportagens

Comemorações dos 50 anos da Funarte fortalecem a Cultura do Brasil

Cinema

Aos 100 anos, Odeon representa resistência do cinema de rua no Rio

Questões Políticas

Caiado é prenúncio da direita que flerta com o pós-bolsonarismo

Newsletter Gratuita

Tenha o melhor da cultura na palma da sua mão. Assine a newsletter gratuita de Culturize-se. Todos os dias pela manhã na sua caixa de e-mail.