Redação Culturize-se
O espetáculo “Proncovô” chega ao Rio de Janeiro para uma temporada de quatro semanas no Teatro Gláucio Gil, em Copacabana, marcando o retorno do espaço cultural após obras de renovação. Combinando teatro e música em uma celebração à vocação itinerante do artista, a montagem é protagonizada por Laura de Castro e Zé Motta, com direção e dramaturgia de Eduardo Moreira e direção musical de Sérgio Pererê.
A peça, descrita como um espetáculo poético-musical, presta homenagem ao artista andarilho, ao mambembe e à tradição brincante brasileira. Em cena, os atores-músicos assumem a figura de trovadores contemporâneos, costurando canções populares e composições autorais com poemas de nomes como Antônio Machado, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Leminski e Fernando Pessoa. O resultado é um mosaico sonoro e cênico que, segundo Moreira, propõe um diálogo entre tradição e contemporaneidade. “Existe um embate entre formas ancestrais de arte e a juventude dos intérpretes. Confrontamos o erudito com o popular, a música com o teatro, o lírico com o épico, sempre buscando comunicação direta com o público”, explica o diretor.
Desde sua estreia, “Proncovô” percorreu 28 cidades de quatro estados brasileiros — Pará, Maranhão, Minas Gerais e Rio de Janeiro — e, em 2024, ganhou os palcos internacionais com apresentações na Colômbia, nos festivais Comfama (Medellín) e Artes de la Calle (Santa Fé de Antioquia). O espetáculo foi contemplado na 2ª edição do Projeto de Internacionalização da Cultura Fluminense, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.
O processo criativo da montagem nasceu de um reencontro artístico e afetivo entre Laura de Castro e Eduardo Moreira. “Laura trabalhou comigo em Minas Gerais quando tinha quase 12 anos. Quando ela me convidou para dirigir o show dela com o Zé, vi a oportunidade de explorar a relação entre música e teatro e abordar um tema que sempre me interessa: o caminhar, o lugar do nômade”, conta Moreira, que se inspirou nas obras “A História do Caminhar“, de Rebecca Solnit, e “Caminhar, Uma Filosofia”, de Frédéric Gros, para construir a dramaturgia.

A direção musical de Sérgio Pererê foi decisiva para borrar as fronteiras entre cena e som. O multiartista instigou os atores a experimentarem novos timbres e instrumentos, ampliando a paleta sonora do espetáculo. “Está sendo um desafio maravilhoso aprender novos instrumentos. Entramos de cabeça nessa provocação”, relata Zé Motta.
A montagem convida o público a embarcar em uma jornada poética que celebra a beleza dos encontros e a constante travessia do artista em busca de seu público.