Redação Culurize-se
Depois de sete anos longe dos palcos de Porto Alegre, Renata Sorrah retorna à capital gaúcha com o espetáculo Ao Vivo [Dentro da Cabeça de Alguém]“, uma criação da Companhia Brasileira de Teatro com dramaturgia e direção de Marcio Abreu. As apresentações acontecem nos dias 4 e 5 de junho, às 20h, no Teatro Simões Lopes Neto, como parte da programação do 19º Festival Palco Giratório Sesc.
Livremente inspirada no clássico “A Gaivota”, de Anton Tchekhov, a peça propõe uma imersão sensível e poética no universo íntimo de uma artista. A trajetória da própria Sorrah, especialmente sua participação em uma montagem de “A Gaivota” nos anos 1970, serve como ponto de partida para uma construção dramatúrgica que flerta com a autoficção e o documentário cênico. Teatro, som, vídeo e movimento se entrelaçam para criar uma narrativa que transita entre realidade e ficção, entre a memória e a projeção do que ainda está por vir.
No palco, ao lado de Sorrah, estão os atores Rodrigo Bolzan, Rafael Bacelar, Bárbara Arakaki e Bianca Manicongo (Bixarte), em um elenco que atua em profunda sintonia para dar forma a uma colagem de pensamentos e vivências. O espetáculo costura temas como feminismo, etarismo e a busca por identidade, revelando uma reflexão coletiva sobre o fazer artístico e o envelhecimento.
A encenação, marcada por uma cenografia minimalista e uma trilha sonora original composta por Felipe Storino, evoca uma atmosfera introspectiva, que convida o espectador a uma experiência sensorial. A direção de movimento de Cristina Moura e a iluminação de Nadja Naira reforçam o mergulho simbólico no interior da mente humana — esse lugar de sobreposição entre lembrança e invenção, entre o vivido e o sonhado.

Com 90 minutos de duração e classificação indicativa de 16 anos, “Ao Vivo [Dentro da Cabeça de Alguém]” estreou em 2024 em São Paulo e vem sendo celebrado pela crítica por sua proposta estética ousada e por colocar em cena uma das grandes atrizes brasileiras em um trabalho de raro vigor e entrega.
A montagem reafirma a potência do teatro como espaço de escuta, revisitação e invenção. Em cena, Renata Sorrah não apenas interpreta: ela compartilha, reinventa e habita sua própria história, convidando o público a fazer o mesmo com as suas. Ao mesmo tempo íntima e universal, a peça é uma meditação poética sobre o tempo, a memória e o desejo que sustenta a arte de continuar — no palco e na vida.