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"Parassocial" é eleita palavra do ano de 2025 pelo Dicionário Cambridge

Redação Culturize-se

O Dicionário Cambridge elegeu “parassocial” como a palavra do ano de 2025, um adjetivo que define a conexão emocional que alguém desenvolve com uma pessoa famosa que não conhece, um personagem de ficção ou uma inteligência artificial. Segundo o editor-chefe Colin McIntosh, a escolha “captura o zeitgeist de 2025”, refletindo um momento em que celebridades são acompanhadas obsessivamente por fãs e assistentes virtuais ganham personalidades próprias.

O termo descreve uma relação “totalmente unilateral” na qual uma das partes sente intimidade e conexão, mas sem qualquer reciprocidade. Embora tenha viralizado recentemente, o conceito remonta a 1956, quando os sociólogos Donald Horton e Richard Wohl, da Universidade de Chicago, observaram que telespectadores desenvolviam vínculos com personalidades da TV, tratando-as como amigos ou familiares. O fenômeno, no entanto, aparece desde pelo menos o século 19, quando leitores estabeleciam laços emocionais com escritores.

“A palavra parassocial reflete o ambiente de 2025. O que antes era um termo acadêmico entrou na linguagem corrente”, comentou McIntosh. A versão eletrônica do dicionário registrou altos níveis de busca pela palavra ao longo do ano, com picos especialmente expressivos.

Um dos principais impulsionadores desse interesse foi o noivado da cantora Taylor Swift com o jogador de futebol americano Travis Kelce, anunciado em agosto. A cobertura global do evento provocou reações intensas de fãs, que responderam como se acompanhassem o casamento de uma amiga próxima. Postagens nas redes sociais diziam “Não estou sendo parassocial sobre isso” e falavam sobre “uma Swiftie sendo parassocial por dez minutos seguidos”, fazendo as buscas pelo termo dispararem.

Outro episódio que trouxe o conceito de volta aos holofotes foi quando o youtuber IShowSpeed bloqueou um fã que se autodenominava seu “parassocial número 1” desde 30 de junho. Paralelamente, conversas cada vez mais pessoais com chatbots impulsionaram a popularização da palavra, levando o Cambridge a atualizar sua definição em setembro para incluir explicitamente relações com IA, após debates sobre o impacto emocional de assistentes como ChatGPT, Gemini e Grok.

A professora de psicologia social experimental Simone Schnall, da Universidade de Cambridge, alertou que “muitas pessoas estabelecem relações parassociais intensas e pouco saudáveis com influenciadores”. Segundo ela, essas conexões criam a ilusão de que o público realmente conhece essas figuras e pode confiar nelas, resultando em “formas extremas de lealdade”. O fenômeno se estende às IAs, com usuários tratando ferramentas como “amigos”, pedindo mensagens de apoio ou tentando usá-las como terapeutas.

A preocupação é tão grande que o Congresso dos Estados Unidos intimou empresas de inteligência artificial a implementarem medidas de proteção para menores de idade contra “relações parassociais prejudiciais”.

Além de “parassocial”, o Cambridge destacou outras palavras com “impacto importante” em 2025, como “slop” (conteúdo de má qualidade gerado por IA) e “tradwife” (esposa tradicional). Ao todo, cerca de 6.000 palavras foram adicionadas ao dicionário eletrônico gratuito, que conta com 350 milhões de usuários e mais de 1,5 bilhão de páginas acessadas anualmente.

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