Redação Culturize-se
A crescente popularidade de medicamentos como Ozempic e Wegovy, à base de semaglutida, tem revelado efeitos colaterais mais sérios do que os identificados nos ensaios clínicos iniciais. Embora eficazes na perda de peso e controle do diabetes tipo 2, esses remédios podem causar complicações graves, especialmente quando utilizados sem acompanhamento médico adequado.
No Brasil, o uso da semaglutida é aprovado apenas para tratamento do diabetes tipo 2. A prescrição para emagrecimento é considerada “off label”, ou seja, fora das indicações oficiais. Apesar disso, os medicamentos ganharam popularidade por oferecerem uma sensação prolongada de saciedade. Entretanto, relatos de efeitos colaterais graves, como pancreatite aguda – que pode ser fatal – vêm preocupando autoridades sanitárias. O Reino Unido já registrou ao menos dez mortes relacionadas a essa condição em pacientes que usavam o medicamento.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também manifestou preocupação. Dados do sistema VigiMed mostraram um número elevado de eventos adversos no Brasil, levando à exigência de retenção de receita para venda das canetas de semaglutida, como já ocorre com antibióticos. A medida visa conter o uso indiscriminado dos remédios para emagrecimento sem orientação médica.
Um estudo publicado na revista Nature Medicine em janeiro de 2025, com mais de 215 mil usuários desses medicamentos, apontou riscos adicionais como aumento de 11% na chance de artrite e de 146% para pancreatite. Também foram observados riscos elevados de tontura, pressão baixa e problemas renais.

Outro estudo, divulgado na JAMA Ophthalmology, indicou uma associação entre o uso da semaglutida e o desenvolvimento da Neuropatia Óptica Isquêmica, uma condição rara que pode levar à cegueira. Embora incomum, a condição ocorre com quatro vezes mais frequência entre pacientes diabéticos que utilizam o medicamento. A Anvisa passou a exigir que esse risco fosse incluído na bula.
Especialistas afirmam que mais estudos são necessários, especialmente com populações mais diversas. Ainda assim, é possível sustentar que os benefícios da semaglutida, quando usada corretamente, superam os riscos. Além do controle glicêmico e perda de peso, há indícios de que o fármaco possa reduzir o risco de demência, doenças cardiovasculares e até auxiliar no tratamento de dependência química. O desafio, segundo os especialistas, é garantir o uso seguro e informado, com base em evidências robustas e acompanhamento médico rigoroso.