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Osgood Perkins transforma insegurança afetiva e masculinidade tóxica em terror psicológico

Reinaldo Glioche

Com estreia marcada para 19 de fevereiro nos cinemas brasileiros, “Para Sempre Medo” é o novo longa de Osgood Perkins, cineasta que vem se consolidando como uma das vozes mais singulares do horror contemporâneo. Após chamar atenção com “Longlegs – Vínculo Mortal”, Perkins retorna ao cinema com uma história que usa os códigos do gênero para investigar relações afetivas marcadas por desequilíbrio, silêncio e violência simbólica — agora ancorada em uma atuação central amplamente elogiada de Tatiana Maslany.

No filme, Maslany interpreta Liz, uma mulher que viaja com o namorado Malcolm, vivido por Rossif Sutherland, para celebrar o primeiro aniversário de relacionamento em uma cabana isolada. O cenário, inicialmente pensado como refúgio romântico, se transforma em um espaço de ameaça quando Malcolm precisa voltar à cidade de forma inesperada, deixando Liz sozinha. A partir daí, o isolamento físico se converte em um mergulho psicológico, marcado por uma presença maligna e por segredos que colocam em risco não apenas a relação, mas a própria sobrevivência da personagem.

Para Tatiana Maslany, o que torna Liz uma figura inquietante é justamente o momento de transição que ela vive. “O que me atraiu à Liz foi esse momento particular da sua vida. Ela está vivendo sem muita consciência do que faz, entrando no que parece um relacionamento fácil, mas no qual talvez não seja ela mesma”, afirmou a atriz em entrevista ao SciFiNow. A performance, descrita como intensa e vulnerável, transforma tensões afetivas em horror íntimo, revelando como insegurança, desconfiança e abandono podem assumir contornos monstruosos.

Foto: Divulgação

A própria atriz observa que o filme explora estados emocionais contraditórios. “O que sentimos quando estamos apaixonados por alguém e não confiamos na pessoa é enorme. Alguns momentos podem parecer um filme de horror, outros um musical”, explica. Para construir essa ambiguidade, Maslany se apoiou em referências do cinema dos anos 1970 sugeridas por Perkins, como “Três Mulheres”, de Robert Altman, além das performances de Shelley Duvall, especialmente em “O Iluminado”.

Do lado da direção, Perkins assume um discurso frontal ao comentar o subtexto do longa. Em entrevista ao Movieweb, o cineasta define “Para Sempre Medo” como “um olhar sobre a masculinidade repugnante”, associando o terror do filme a estruturas como patriarcado, misoginia e masculinidade tóxica. “Às vezes, precisamos olhar e pensar: ‘que nojo’. E eu acho que o filme faz isso”, afirma.

Filho de Anthony Perkins e Berry Berenson, Osgood Perkins construiu uma filmografia marcada por abordagens autorais do horror, com títulos como “Maria e João: O Conto das Bruxas”, “O Macaco” e “A Enviada do Mal”. Em “Para Sempre Medo”, ele reafirma essa trajetória ao transformar uma história de casal em um retrato perturbador dos instintos que se ignoram — e das violências que emergem quando eles são finalmente confrontados.

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