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Eventos apostam em experiências imersivas pra reconectar o público com os livros

Redação Culturize-se

Em 2025, a Bienal do Livro Rio — que começa nesta sexta (13) no Riocentro — terá roda-gigante temática (Leitura nas Alturas), labirinto de histórias e escape rooms inspirados em livros. A estratégia, segundo Tatiana Zaccaro, diretora do evento, é “transformar literatura em experiência”. Os números justificam a aposta: em 2023, o evento atraiu 600 mil visitantes e vendeu 5,5 milhões de exemplares — uma média de nove livros por pessoa.

Mas o cenário nacional ainda é desafiador. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024) revela que 53% dos brasileiros não leram um livro sequer nos últimos três meses — o pior índice desde 2007. “Precisamos acabar com a ideia de que ler é chato”, afirma Zaccaro.

Enquanto o Rio investe em espetáculo, São Paulo opta por democratização. A 4ª Feira do Livro do Pacaembu, também iniciada neste sábado (14), ocupa a Praça Charles Miller com 250 eventos gratuitos, incluindo debates sobre literatura e meio ambiente, oficinas de xilogravura e um espaço infantil curado pela Associação Vaga Lume.

A Prefeitura de SP participa com troca de livros e distribuição de clássicos como “O Alienista”, de Machado de Assis. “Livros são ferramentas de transformação”, diz Totó Parente, secretário de Cultura, que media um debate sobre bibliotecas públicas no sábado.

A estratégia de relançar clássicos também ganha força. “A Hora da Estrela“, de Clarice Lispector, voltou aos best-sellers em 2020 após nova edição com prefácios e capa dura. Já a autobiografia de Rita Lee, relançada em 2023 com fotos inéditas, esgotou em semanas. “Uma boa edição revive obras para novas gerações”, explica Guilherme Samora, da Globo Livros.

Leia também: Bienal do Livro Rio 2025 celebra a diversidade e coloca o leitor como protagonista

Com o Rio como Capital Mundial do Livro pela Unesco, a Bienal ampliou seu caráter global. A italiana Dacia Maraini, autora de “A Longa Vida de Marianna Ucrìa“, participa de um bate-papo na Biblioteca Nacional na segunda-feira (16). China e Emirados Árabes terão estandes, enquanto editoras independentes se unem no coletivo Compiladas, com 20 selos como Carambaia e Ubu.

Outro destaque é o crescimento de nichos. A Darkside ocupa 300m² com uma “Casa Dark” para true crime e terror, e a Mundo Gospel expandiu seu estande para 400m². “Livros religiosos e YA [young adult] são os que mais crescem”, diz Mauro Palermo, da Globo Livros, que triplicou o espaço do selo jovem Globo Alt.

Estande da Amazon na Bienal do Livro 2025

A batalha pela atenção

Para reconquistar leitores, o setor aposta em formatos alternativos. “O audiobook atrai quem não tem tempo de ler”, observa Mariana Kaplan, da Sextante. Já as edições de bolso, como as da L&PM Pocket (30 milhões vendidos), tornam clássicos acessíveis.

Mas, para autores como Samir Machado de Machado (“O Crime do Bom Nazista“), o essencial é outro: “O escritor não escreve para ‘conquistar leitores’, mas para expressar ideias”. Marcelo Rubens Paiva, autor de Ainda Estou Aqui, concorda: “Livro não é mercadoria. Escrevo por prazer”.

Se a Bienal do Rio e a Feira de SP mostram caminhos distintos — o espetáculo e a democratização —, ambas compartilham um objetivo: reatar o fio entre livros e leitores. Como diz Thalita Rebouças: “Quando você fala com verdade, chega nas pessoas que precisam chegar”.

Enquanto o Brasil tenta reverter a queda de 7 milhões de leitores, eventos como esses provam que a literatura ainda sabe surpreender — seja no alto de uma roda-gigante, seja no chão de terra de uma praça.

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